Parece ser mais novo ou velho do que é? Novo estudo revela que idade aparente está ligada ao risco de doenças; saiba quais

Você é daqueles que causa surpresa ao revelar a idade? É comum conhecermos pessoas que aparentam ser mais velhas, ou mais novas, do que realmente são. Porém, um novo estudo conduzido por pesquisadores holandeses, publicado na revista científica British Journal of Dermatology, descobriu que a idade aparente pode estar ligada ao risco de doenças como osteoporose, catarata e perda auditiva.

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A boa notícia é para aqueles que parecem ter anos a menos do que a certidão de nascimento indica. Segundo os resultados do trabalho, o risco de desenvolver determinadas condições de saúde chega a ser 24% menor para indivíduos que aparentam ter uma idade cinco anos menor do que realmente têm.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas do Centro Médico da Universidade Erasmus, em Roterdã, na Holanda, selecionaram 2.679 pessoas, com idades entre 51 e 87 anos, de descendência europeia. Em seguida, tiraram fotos em alta resolução dos participantes, que foram instruídos a não utilizarem cremes, maquiagem ou acessórios.

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Os pesquisadores criaram, então, um painel independente formado por 27 pessoas para analisarem cada uma das imagens e, sem qualquer informação complementar, atribuir uma idade aos participantes – dentro de uma escala de opções que variava de cinco em cinco anos – o que foi chamado de idade percebida (IP).

Depois, os responsáveis pelo trabalho relacionaram a IP com a idade real dos participantes do estudo e buscaram identificar se aqueles com diferenças maiores ou menores entre os números apresentavam incidências diferentes em doenças relacionadas ao envelhecimento, incluindo uma série de condições cardiovasculares, pulmonares, oftalmológicas, neurocognitivas, renais, ósseas e auditivas.

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Os resultados mostraram que há diferenças, e que pessoas cuja aparência é de cinco anos mais nova do que a realidade tiveram menos registros de quatro doenças. Em relação à osteoporose, que torna os ossos mais frágeis, e à perda auditiva associada à idade, os indivíduos desse grupo tiveram 24% menos adoecimentos.

Os benefícios foram observados ainda para a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com uma redução de 15% na incidência, e no desenvolvimento de cataratas, que tornam a visão embaçada, com 16% menos casos. Além disso, foi constatado um melhor funcionamento cognitivo nessa parcela de participantes.

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Possíveis explicações

Os cientistas citam alguns mecanismos que podem explicar essas relações. Para a osteoporose, mencionam que alterações em um tecido podem ser específicas dele ou compartilhadas entre mais de um. Baseado nisso, entendem que a diminuição na produção de fibroblastos cutâneos e colágeno, o que causa a aparência mais envelhecida da pele, pode estar associada a uma diminuição simultânea dos osteoblastos, responsável pela menor densidade óssea.

Isso porque os fibroblastos e os osteoblastos expressam genes semelhantes, e por isso a atuação deles pode estar associada. Além disso, afirmam que outra possibilidade é que “a osteoporose pode estar associada à perda óssea facial, causando uma aparência mais envelhecida”, segundo escrevem no estudo.

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Sobre as cataratas, eles dizem que, embora haja três tipos do problema conhecidos, todos compartilham os mesmos fatores de risco. Além da idade avançada, que é o principal deles, aumentam a chance do problema o hábito de fumar e a exposição a raios solares, e esses dois últimos fatores também são práticas que aceleram o envelhecimento da pele.

O tabagismo também poderia explicar a relação com a DPOC, já que fumar é o principal motivo para desenvolver o problema pulmonar. No entanto, os pesquisadores escrevem que a relação entre aparentar ser mais velho e ter mais diagnósticos da doença foi observada também entre pessoas que nunca fumaram, “sugerindo que outros fatores, ou tabagismo passivo, poderiam ter um papel”.

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Afirmam, por exemplo, que os fatores não relacionados ao tabaco incluem poluição do ar, exposições a substâncias pelo trabalho, como na agricultura, e má nutrição, "que também foram associados ao envelhecimento da pele”.

Já sobre a perda auditiva relacionada à idade, eles também acreditam que pode ser devido a determinantes associados ao estilo de vida. “No entanto, em nossa análise, não corrigimos um fator vital, a exposição ao ruído, devido à falta de dados. Isso pode capturar a ligação entre a aparência jovem e menos perda auditiva relacionada à idade, já que menos trabalho ao ar livre provavelmente significa menos exposição ocupacional aos raios UV (solares) e ao ruído”, dizem, o que favoreceria a pele e a audição.

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Outro motivo para as relações apontadas no estudo é a aparência da pele estar ligada ao envelhecimento celular e um menor comprimento dos telômeros – uma estrutura que protege o material genético dentro dos cromossomos de cada célula. O encurtamento dos telômeros é o que leva ao envelhecimento do sistema imunológico, assim como de outras partes do corpo, o que pode estar ligado às doenças.

“Em conclusão, descobrimos que a IP (idade aparente) está associada a morbidades específicas de diferentes sistemas de órgãos, bem como a uma melhor função cognitiva. No geral, nosso estudo demonstra que tanto a saúde física quanto a cognitiva estão associadas à aparência facial, destacando a IP como um biomarcador de morbidades e indicando que a aparência de uma pessoa pode ser usada como um sinal clínico adicional na avaliação física”, sugerem os cientistas.