Paredes irregulares e cimento branco no lugar da marcenaria dão tom mediterrâneo à casa

Poderia ser o cenário de uma comédia romântica com um casal lindo e bronzeado vivendo uma paixão durante as férias, em uma casinha de verão de uma ilha grega, concorda? Mas a cozinha ao lado fica em um apartamento térreo, no bairro de Copacabana. A advogada Sandra Santos cultivava o desejo antigo de reformar seu cômodo preferido, de 10 metros quadrados, para deixá-lo com mais personalidade e agradável para receber os amigos. Queria uma cara descontraída, assumindo as irregularidades originais da parede ao invés de mascará-las. Quem entrou em cena com a tarefa foi a dupla da Pílula Arquitetura, que decidiu, então, trabalhar com sombras, tons de branco e madeira de demolição.

Os arquitetos Richard de Mattos e Maria Clara de Carvalho escolheram um piso de porcelanato que acabou norteando o projeto. “Ele tem um corte que reproduz o charme das formas orgânicas de pedras rústicas, e lembra os calçamentos de algumas cidades e ilhas gregas”, descreve Maria Clara. A dupla arrematou com bancada de quartzo, acabamento com nichos de alvenaria, acabamento branco e janela com vista para a vegetação do jardim. “Abrasileiramos um pouco o visual com o acervo da própria Sandra, que é amazonense e tem uma coleção de peças da região”, completa Richard.

Em outro apartamento térreo, em Três Rios, na Região Serrana do Rio, o estilo grego e praiano acabou surgindo como uma solução para a varanda estreita. Os arquitetos Diego Raposo e Manuela Simas explicam que seria impossível colocar um sofá ali e, portanto, criaram um “afundamento” para encaixar um banco de 70cm, de alvenaria. Todas as paredes, incluindo o banco, ganharam uma textura na pintura. “As pessoas estão buscando espaços onde o toque e outros sentidos sejam testados no dia a dia. Aqui, o resultado ficou simples nas linhas e no desenho, mas provoca a sensação de acolhimento”, aponta Diego, que destaca também a madeira ripada fechando teto e parte da lateral, deixando o sol entrar em raios mais tênues.

E quando o projeto é de frente para a praia, a vista para o mar complementa o cenário. A empresária e estilista Katia Barros, à frente da Farm, acabou de reformar sua casa, em Mangaratiba, e o primeiro desejo foi pela parede com acabamento irregular por todos os cômodos. Para os quartos dos filhos, Katia chamou a designer Cris Barretto, que, em parceria com a arquiteta Daniela Bastos, conceituou e chegou ao encanto que a estilista queria. “Ela tem um vínculo forte com o mar, com o sol, com Iemanjá, gosta de casa cheia de gente, de amigos, de alegria. Montei um arquivo de referências e saímos garimpando móveis e acessórios que traduzissem essa atmosfera, com um mix simples e rústico”, conta Cris. A dupla privilegiou o branco no quarto da filha (Manu Barros, de 17 anos), e desenhou a cama em madeira, cobrindo com enxoval de linho e almofadas rendadas. Nichos abertos se encaixam embaixo da janela. Outro elemento muito presente é a palha, no tapete, na mesinha e em um grande lustre vazado de rattan, da Cahaya. Para terminar, a cauda da amada sereia acabou desenhada na parede, pela ilustradora Pat Lobo.

De volta à Zona Sul carioca, o projeto da arquiteta Natália Lemos para a loja Hathi, em Ipanema, faz uma clara referência à região africana banhada pelo Mediterrâneo, mais especificamente, ao Marrocos. Um dos destaques no visual? A parede rústica com textura, claro. Aqui, os tons terrosos tingiram o ambiente todo, que ganhou uma charmosa fonte com azulejos.

Para o arquiteto Diego Raposo, a ideia da décor mediterrânea está no imaginário das pessoas. “Evoca sempre o desejo de relaxamento, descanso, conforto, praia e fuga da correria do dia a dia”, reflete.