Parente de Ustra integrou comitiva de Bolsonaro a Orlando

Ex-presidente já manifestou diversas vezes sua simpatia pelo torturador da época da ditadura militar

Marcelo Ustra, primo do coronel torturador da Ditadura Militar, integrou comitiva de Bolsonaro aos EUA - Foto: Reprodução/Facebook
Marcelo Ustra, primo do coronel torturador da Ditadura Militar, integrou comitiva de Bolsonaro aos EUA - Foto: Reprodução/Facebook
  • Primo do coronel Brilhante Ustra integrou comitiva da família Bolsonaro em viagem aos EUA

  • Ex-presidente já manifestou diversas vezes sua simpatia pelo torturador da época da ditadura militar

  • Marcelo Ustra ajudou nos preparativos para recepção de Bolsonaro em Orlando

A comitiva que acompanhou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em sua ida aos Estados Unidos contou com a participação de um primo do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido torturador da época da ditadura militar.

De acordo com informações divulgadas inicialmente pelo portal Brasil de Fato, e confirmadas no Portal da Transparência do Governo Federal, Marcelo Ustra da Silva viajou com a família Bolsonaro a Orlando no fim do ano passado.

O portal UOL esclareceu que Marcelo, atualmente também coronel do Exército, é bisneto de Celanira Martins Ustra, avó de Brilhante Ustra.

Marcelo viajou para Orlando em 28 de dezembro, com a função de trabalhar nos preparativos para a chegada de Bolsonaro, sua esposa, Michelle, e a filha Laura.

Ele foi um dos 24 servidores que decolaram rumo aos Estados Unidos na comitiva do então presidente. Segundo os registros, Marcelo desembarcou de volta ao Brasil em 1º de dezembro.

Ainda de acordo com a documentação, o coronel recebeu R$ 5.570,67 em dinheiro público para bancar suas diárias durante o período em território norte-americano.

Antes mesmo da viagem, Marcelo já era homem de confiança da família Bolsonaro e foi assessor técnico militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, entre julho de 2020 e maio de 2021.

Quem foi o coronel Brilhante Ustra

O coronel Brilhante Ustra comandou o Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão responsável por prender e torturar pessoas contrárias ao regime durante a ditadura militar no Brasil.

A Justiça de São Paulo reconheceu Ustra como torturador em primeira e segunda instância, em decisões de 2008 e 2012.

Morto em 2015, o ex-coronel é lembrado até hoje por apoiadores golpistas, entre eles o próprio Marcelo, que em novembro do ano passado publicou vídeo com discurso do primo, com a seguinte legenda: "Pelo amor de Deus, ressuscitem esse homem".

Ainda de acordo com a descrição do vídeo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes "voltaria a usar fraldas" se passasse "uma noite conversando com Ustra no DOI-CODI".

Outro "fã" de Brilhante Ustra é Jair Bolsonaro. Em 2016, quando ainda era deputado, o agora ex-presidente dedicou ao torturador seu voto em favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).