Parentes e amigos se despedem da juíza Viviane Arronenzi em velório

Rafael Nascimento de Souza
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RIO - Parentes e amigos da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), assassinada a facadas pelo ex-marido, o engenheiro Paulo José Arronenzi, na véspera de Natal, se despediram da magistrada no velório realizado, na manhã deste sábado, no Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Portuária do Rio.

Durante quase três horas, cerca de 100 pessoas passaram pelo local. O corpo da juíza seguiu para a cremação às 11h10, após uma homenagem lida por amigos. Durante o velório, colegas do Tribunal de Justiça do Rio ressaltaram que Viviane era uma magistrada atuante, muito respeitada no tribunal, profissional exemplar e discreta. Na tarde desta sexta-feira, o Plantão Judiciário de Niterói concedeu à avó materna a guarda provisória das filhas de Viviane. A irmã da juíza também cuidará das crianças.

A juíza Renata Gil Alcantara Videira, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), presente ao velório, afirmou que a morte de Viviane foi devastadora. A entidade que ela preside lançou em junho uma campanha, junto com Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de combate à violência contra a mulher, #SinalVermelho". A iniciativa sugere que as mulheres denunciem com um “X vermelho nas mãos”, de forma silenciosa, o agressor.

— A notícia foi devastadora porque já tínhamos uma campanha forte no combate à violência contra a mulher. Fomos pegos de surpresa e estamos absolutamente sem chão. Para mim, foi muito difícil como mulher. Ela tinha a minha idade, era uma pessoa discreta, dedicada ao trabalho e que foi surpreendida com mais um ato de violência contra a mulher — destacou Renata.

Para Renata, é necessário que a punição seja exemplar para quem comente feminicídio:

— A brutalidade do assassinato nos surpreendeu e gerou inconformismo. Várias mulheres passam por relações tumultuadas, nem a família sabe. Esperamos que o que aconteceu com a Viviane leve mulheres a denunciarem, para que isso não aconteça mais. As mulheres têm o direito de escolher a vida que querem ter.

O presidente da Associação dos Magistrados do Rio (Amarj), Felipe Gonçalves, que atua na Vara Criminal de Belford Roxo, afirma que a violência doméstica é cíclica e começa sempre com uma agressão moral, psíquica, patrimonial e até chegar ao feminicídio.

— Antes disso, o agressor se diz arrependido e convence a vítima, ao afirmar que aquilo não se perpetuará. Convencida, a mulher retira as medidas protetivas, o que aconteceu com a doutora Viviane. Ela tinha uma escolta, pelas ameaças, mas em determinado momento foi convencida pelo agressor que isso (as agressões) não iriam mais acontecer — afirma Gonçalves.

Felipe Gonçalves alerta para que mulheres agredidas não retirem as medidas já em vigor.

— A vítima agredida de qualquer forma não pode desistir de sua medida protetiva. Ela deve ir até o fim. O agressor não merece só uma sanação estatal. Ele merece também uma educação estatal. Vejo esse tipo de compartamento todos os dias, não com esse extremismo.