Parentes de vítima de feminicídio dizem que ex-marido premeditou crime e mentiu para obter guarda de filhos

Na última segunda-feira, quando a faxineira Letícia Dias Santana, de 27 anos, encontrou com Flavio Fonseca, de 36, no Fórum de Niterói, ela não imaginaria que seria assassinada a facadas 24 horas depois pelo ex-companheiro. O motivo do encontro foi em uma audiência em que ela pedia a volta da guarda dos dois filhos, de 6 e 4 anos. Num relacionamento de idas e vindas, após ser espancada pelo homem, há cerca de seis meses na frente das crianças, a vítima deu um ponto final ao romance. Após isso, a família de Leticia diz que ela passou a ser ameaçada. O crime aconteceu na terça-feira, quando Flavio usou a desculpa de devolver o filho mais novo para rever a ex-mulher. Depois do crime, ele teria fugido de barco para uma ilha de Piratininga, em Niterói.


Na manhã desta quarta-feira, parentes da faxineira estiveram no Instituto Médico Legal (IML) do Barreto, em Niterói, para liberar o corpo da faxineira. Revoltados, eles lembraram que Letícia tinha medida protetiva contra Flávio, o que não impediu o crime. Segundo a Polícia Civil, ele é o principal suspeito da morte da ex-mulher.

Letícia e Flavio foram casados por dez anos. A faxineira Kayane Fernandes de Souza, 18, sobrinha de Letícia, conta que a tia era espancada com frequência pelo ex-companheiro.

— Ela era uma pessoa maravilhosa. Tudo o que era dela, era das outras pessoas. Ela fazia de tudo para ajudar as pessoas. Ela era uma boa mãe e não deixava faltar nada para os filhos — lembra Kayane, que completa: — Ela só queria pegar os filhos de volta. Ela perdeu a guarda porque ele alegou que Letícia batia nas crianças. Eu via o tratamento dela com as crianças e era mentira. Eu tenho uma filha e tudo que ela comprava para os filhos dela, comprava para a minha.
Kayane conta que Letícia perdeu a guarda das crianças há quatro meses e, desde então, tentava reverter a decisão.

A vítima deixa três filhos: um de 9 anos de um outro relacionamento e os meninos de 6 e 4 anos, filhos também de Flavio. A família ainda não teve coragem de contar para as crianças que a mãe está morta. A mãe de Letícia passou mal ao saber pela televisão do assassinato da filha e está internada.

A também faxineira Fernanda Pereira da Silva, 27, prima de Letícia, conta detalhes do dia da audiência de guarda dos filhos. No dia seguinte, Flavio disse que não poderia ficar com o filho menor, que não estuda, e que ela precisava ir buscá-lo. Ela acredita que o suspeito “premeditou o crime”.

— Ele premeditou tudo. Fez essa covardia com a minha prima. Depois de matá-la, os moradores contaram que ele fugiu de barco para a ilha.

Amiga da família, a dona de casa Damiana Fraga de Araújo, 50, contou que Flavio havia sido espancado em Niterói, há alguns meses, e que Letícia o abrigou em sua casa.

— Ela o ajudava após brigas que ele tinha. Ele foi espancado e quem ajudou ele foi ela. Mesmo assim, ele matou a menina. Ele também a espancou na frente dos filhos. Ela tinha uma medida protetiva contra ele. Ela já havia ido à delegacia várias vezes — conta Damiana, que faz um apelo para mulheres que são espancadas: — Por favor, denunciem. Não aceitem ser espancadas.

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