Paris pede intervenção de Bruxelas na crise migratória com Itália

A crise diplomática entre Paris e Roma traduziu-se, este domingo, em longas filas de espera para atravessar a fronteira entre o norte de Itália e o território francês.

França decidiu, na semana passada, reforçar os controlos fronteiriços como medida de retaliação, depois das autoridades italianas terem recusado o acesso aos seus portos ao navio humanitário Ocean Viking.

A embarcação, que transportava mais de 230 migrantes resgatados no Mediterrâneo, foi finalmente autorizada a atracar no porto francês de Toulon na sexta-feira de manhã, depois de três semanas no mar. Uma medida excecional, segundo Paris, por "dever humanitário".

Olivier Véran, porta-voz do governo francês: "A Itália não mantém um compromisso que é fundamental no mecanismo de solidariedade europeu. Nós não vamos cumprir com a contrapartida prevista, de acolher 3000 migrantes que estão atualmente em solo italiano."

Paris apelou à intervenção de Bruxelas, pedindo à "Europa para se pronunciar rapidamente sobre o seguimento a dar" à recusa italiana de acolher o Ocean Viking.

Em paralelo, França e o Reino Unido avançaram com um acordo histórico para lidar com a crise migratória na Mancha, onde as travessias clandestinas já ultrapassaram as 40.000 pessoas este ano.

Um plano com um investimento de mais de 70 milhões de euros, nomeadamente para reforçar os controlos costeiros e que prevê, pela primeira vez, a presença de oficiais britânicos em postos de controlo franceses.