Paris: de restaurantes estrelados a exposições, as novidades para quem visita a cidade em 2022

O futuro é promissor para Thibault Sombardier. No ano passado, sob a pressão financeira gerada pela série de lockdowns e restrições impostas ao setor de hospitalidade pela pandemia, os proprietários do restaurante Antoine, na Margem Direita de Paris — onde o chef faturara uma estrala do "Guia Michelin" graças à criatividade dos pratos à base de frutos do mar —, decidiram vender o estabelecimento de mais de dez anos, por onde já tinham passado de políticos de peso à estrela do tênis Serena Williams.

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Mas, ao conversar conosco em uma tarde de abril, Sombardier usou um tom incrivelmente positivo para se referir ao cenário gastronômico parisiense atual e a seu projeto mais recente, o bistrô chique na Margem Esquerda chamado Les Parisiens:

— O pessoal está empolgado para descobrir as últimas novidades. A coisa vai bem em Paris; o povo voltou a sair. Estou otimista; a perspectiva é de um ano excelente.

É uma opinião que se ouve com uma frequência cada vez maior na capital hoje em dia — afinal, o uso de máscara não é mais obrigatório (com exceção dos hospitais e das casas de repouso) e o certificado vacinal não é mais exigido em restaurantes, bares, museus, salas de concerto e no transporte público. (Você encontra informações atualizadas sobre as medidas em vigor na cidade no site do Convention & Visitors Bureau de Paris.) Espremido no meio da multidão que invade os bairros do Marais e Saint Germain-des-Près nos fins de semana, dá quase para acreditar que voltamos a 2019.

Novos espaços de compras e arte

O projeto mais esperado é a reabertura da Samaritaine, loja de departamentos situada em um prédio clássico estilo Belle Époque às margens do Rio Sena. De propriedade da holding LVMH, especializada em artigos de luxo (cujo CEO, Bernard Arnault, é o homem mais rico da França), o monumento do século XIX fechou as portas em 2005 para sanar problemas estruturais e acabou praticamente desativado durante quase 16 anos.

Inaugurada em junho de 2021, a nova versão — que virou um verdadeiro complexo — é um templo do consumo, com detalhes em art nouveau e art déco. Se você achar que explorar seus mais de 12 restaurantes, um hotel cinco estrelas (o Cheval Blanc, com a diária dos quartos duplos, em maio, a partir de 1.450 euros, ou cerca de R$ 7.750 mil), um spa, um ateliê de perfumes, um lounge VIP e um sem-fim de lojas que, juntas, vendem artigos de mais de 700 marcas é um tantinho intimidador, pode fazer um passeio guiado de hora e meia (15 euros).

Não querendo ficar para trás, o segundo homem mais rico da França, François Pinault, inaugurou no ano passado um estabelecimento próprio em um marco histórico: situado no prédio circular centenário que já abrigou a bolsa de valores parisiense, seu museu, conhecido como Bourse de Commerce-Collection Pinault (ingresso a 14 euros), ganhou forma sob a batuta do arquiteto japonês Tadao Ando e exibe as inúmeras obras de arte contemporâneas do dono, incluindo as telas de Sigmar Polke, os tubos de iluminação de Dan Flavin e as esculturas de Urs Fischer.

Já a magnata da moda Agnes B. optou por um caminho diferente, escolhendo um prédio branco moderno no pouco atraente 13º arrondissement para exibir a própria coleção, que inclui desde fotografias de Man Ray até os grafites de Futura, no estilo dos que se veem nas estações de metrô. Conhecido como La Fab (ingresso a sete euros), o espaço atualmente mostra "L'Enfance dans La Collection Agnes B." (até 30 de junho), um olhar sobre a infância por intermédio de pinturas, desenhos, fotos, esculturas e instalações.

Velhos favoritos, reais e virtuais

Os dois principais museus da cidade, o Musée du Louvre (ingresso a 17 euros) e o Musée d'Orsay (ingresso a 14 euros), estão abertos e bombando. Entre as mostras especiais no primeiro estão "Yves Saint Laurent no Louvre", com algumas das criações mais requintadas do estilista francês (até 19 de setembro) no antigo palácio real, e "Faraó de Duas Terras", dedicada ao império núbio-egípcio do século VIII a.C. do rei Piiê (até 25 de julho). No segundo, do outro lado do Sena, "Gaudì" (até 17 de julho) oferece uma ampla retrospectiva do arquiteto espanhol por meio de sua arte, seus móveis e muito mais.

E embora a catedral Notre Dame continue fechada para reconstrução, depois do incêndio de 2019, uma recriação na realidade virtual no bairro de La Defense oferece uma oportunidade alternativa para quem quer conferir a bela estrutura gótica medieval. O "passeio" "Eternelle Notre-Dame" (ingressos a partir de 20 euros) dura 45 minutos e mergulha o visitante nas diferentes versões do templo, desde a Idade Média até os tempos atuais.

Alta gastronomia e comida de rua gourmet

No quesito gastronômico, a experiência nova mais sublime talvez seja no Les Ombres, na cobertura do Musée du Quai Branly-Jacques Chirac, que combina a excelência dos maiores nomes franceses na arquitetura e no setor de restaurantes. Projetado por Jean Nouvel e hoje comandada pela equipe de Alain Ducasse, a casa vanguardista de telhado de vidro serve um menu fechado de 110 euros no jantar só com clássicos (incluindo aspargos brancos, foie gras e peito de pato) durante o jogo natural de luz e sombra que o design de Nouvel só faz destacar. Mas a principal atração mesmo é a vista da Torre Eiffel.

Ducasse e outros astros da culinária parisiense também andam ocupados em abrir novos pontos, com o objetivo de elevar o nível da comida de rua, do fast-food e das sobremesas. Para conhecer os sabores típicos de Paris a um preço camarada, prove o carro-chefe da lanchonete requintada de Yannick Alléno, o Burger Père et Fils par Alléno (15 euros, ou cerca de US$ 16) e o croque monsieur super-recheado de uma das filiais do Croq'Michel de Michel Sarran, jurado do "Top Chef" francês (8,50 euros). De sobremesa, você pode ir até a Bastilha para tomar um sorbet (6,50 euros) e muito mais na La Glace Alain Ducasse, primeira sorveteria do chef famoso, e um choux (2 euros) fresquíssimo da confeitaria Tapisserie, novidade mais recente no bairro do chef do Septime, Bertrand Grébaut.

Acomodações luxuosas e hospedagens cinematográficas

Há muitas novidades também no setor de hotelaria além do imenso Pullman Montparnasse (com diária dos quartos duplos, em junho, a partir de 280 euros), com 32 andares e 957 quartos, ou a cobertura de quase 995 m² do Bulgari Hotel Paris (diária de 1.700 euros) na badalada Avenue Georges V.

O Hotel Paradiso (com diária de 170 euros), da cadeia de cinemas MK2, foi criado a partir das sugestões do pessoal criativo local – incluindo o artista de rua J.R., o diretor e músico Woodkid e o homem dos cafés, Marc Grossman. O estabelecimento, perto da Place de la Nation, tem 36 quartos equipados com tela, projetor de última geração e acervo de filmes. Para quem quiser mais entretenimento, há o bar de cobertura e a sala particular de karaokê.

Petite Paris: independente, íntima e internacional

Para descobrir os novos tesouros menores de Paris, basta seguir o cheirinho dos legumes no forno e os aromas estrangeiros. Na Bastilha, por exemplo, você janta à luz de velas no Persil, que serve peixes à moda africana. No cardápio do chef Kumpi Lo pode aparecer o mikaté (bolinho de bacalhau com purê de violeta congolês; 22 euros) e a batata gratinada com manteiga trufada, cheddar e tofu (19 euros).

Ou você pode mergulhar na penumbra do wine bar Stéréo, perto do Pigalle. Embora não seja estritamente vegetariano, o cardápio tem tudo para conquistar os carnívoros com opções sem carne, como a cenoura assada com curry de coco (dez euros) e a abóbora de forno com mel, tahine, nozes e sementes de romã (dez euros) do chef bangladeshiano Swaran Joshi.

E se não tiver cacife para bancar uma viagem de volta ao mundo, pode reservar um dos 31 quartos étnicos, chiques e coloridos do Babel, em Belleville, cujos saguão e restaurante parecem uma combinação de um acampamento no Rajastão e um salão de chá marroquino (diárias em junho a 135 euros). Depois de saborear o homus médio-oriental (seis euros, ou cerca de US$ 6.40) e o terrine de Alepo (com carne de cordeiro, damascos secos e especiarias; 12 euros), acompanhados de um vinho croata, dá quase para imaginar que a refeição renderá algumas milhas.

— A Torre de Babel reuniu todas as nacionalidades do mundo, e é isso que estamos tentando fazer aqui no hotel — explicou o gerente Johan Diony em tarde recente.

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