Paris vive sábado tenso com novas manifestações de 'coletes amarelos'

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Manifestante com faixa com jogo de palavras, escrito "Do, Ré, Mi, Fá, Sol e gás Lá-crimogêneo" em protestos dos "coletes amarelos", em 20 de abril de 2019 em Paris

Após cinco meses de mobilizações, milhares de "coletes amarelos" foram às ruas pelo 23º sábado consecutivo de protestos, já marcado por confrontos entre forças de segurança e manifestantes, que resultaram em mais de 200 prisões.

A polícia atacou os manifestantes em várias ocasiões com granadas de dispersão e gás lacrimogêneo em uma grande avenida no centro da capital, entre as praças da Bastilha e da República.

No meio do dia, a polícia havia prendido 227 pessoas em Paris e feito mais de 20.500 checagens preventivas, segundo a instituição.

Às 19h locais (14h de Brasília), havia sido decretada prisão preventiva de 178 pessoas na capital, inclusive seis menores, de acordo com a Promotoria.

Segundo a contagem das autoridades às 19h (13h), 27.900 "coletes amarelos" protestavam na França, 9.000 deles em Paris.

No sábado anterior, 31.100 pessoas protestaram em todo país, 5.000 delas na capital, segundo dados oficiais - questionados pelos manifestantes.

- 'Viver com dignidade' -

A manifestação em Paris começou calma, com as tradicionais reivindicações de um aumento do poder aquisitivo e de mais democracia direta.

Outro protesto, que partiu da Basílica de Saint-Denis, no norte da cidade, transcorreu sem incidentes.

"Queremos viver com dignidade. Eu tenho minha pensão, mas estou aqui pelas gerações futuras", afirmou Joël Blayon, pescador aposentado.

O clima no "ato 23" era de desconfiança, ao fim de uma semana, na qual o presidente Emmanuel Macron iria revelar um grande programa de reformas para aplacar a insatisfação social.

O anúncio foi adiado para a próxima quinta-feira pelo incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris.

A comoção nacional provocada pelo incêndio de Notre-Dame irritou alguns "coletes amarelos", especialmente pelos milhões de euros prometidos pelas maiores fortunas francesas para a reconstrução.

"Gosto muito de Notre-Dame, sou católico, mas o maior dos patrimônios são a mão e a cabeça que trabalham", afirmou Jean-Maria, professor aposentado vindo de Auxerre (centro).

- Protestos pelo país -

Em Bordeaux (sudoeste), centro de força do movimento, uma pequena multidão se reuniu na praça da Bolsa antes de iniciar a marcha, enquanto a polícia bloqueava o acesso às ruas do centro da cidade.

Em Toulouse (sul), milhares de pessoas se reuniram em uma praça central. "Estou com medo, mas isso não me impediu de vir", disse Claudine Sarradet, um aposentado.

Em Marselha (sul), cerca de mil "coletes amarelos" se reuniram para protestar no Porto Antigo.

Na cidade de Lille, no norte, centenas de pessoas se manifestaram pacificamente. "Macron não pode dar respostas porque não quer mudar sua política, a de 'tudo para os ricos'", disse Stéphanie, de 27 anos, dona de casa.

Segundo uma fonte policial, entre 200 e 300 pessoas se manifestaram em Rouen (norte), apesar de o protesto ter sido proibido.

Como nas semanas anteriores, autoridades proibiram manifestações em locais emblemáticos do país, como a grande avenida Champs-Élysées e a catedral de Notre-Dame, em Paris.

Mais de 60.000 policiais e gendarmes foram mobilizados, anunciou na sexta-feira o ministro francês do Interior, Christophe Castaner, que disse temer o retorno dos "vândalos".