Parkinson e Alzheimer: morar perto de áreas com natureza ajuda a retardar a progressão das doenças; entenda

Viver em uma área com fácil acesso a parques e rios parece retardar a progressão de doenças neurológicas devastadoras, como Alzheimer e Parkinson. Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open, baseado em mais de uma década e meia de rastreamento do risco de doenças, entre quase 62 milhões de americanos com 65 anos ou mais.

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“Pesquisas anteriores mostraram que ambientes naturais – como florestas, parques e rios – podem ajudar a reduzir o estresse e restaurar a atenção. Além disso, os ambientes naturais fornecem ambientes para atividades físicas e interações sociais e podem reduzir a exposição à poluição do ar, calor extremo e ruído do tráfego”, disse o principal autor Jochem Klompmaker, pesquisador de pós-doutorado na Escola de Saúde Pública T. H. Chan da Universidade Harvard.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores de Harvard analisaram internações hospitalares por Alzheimer, demência e Parkinson. Ao focar na internação hospitalar, a equipe não estava avaliando o risco inicial de desenvolver essas doenças, e sim o risco de progressão rápida das condições.

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Entre 2000 e 2016, quase 7,7 milhões de idosos foram hospitalizados por Alzheimer ou outras formas de demência, e quase 1,2 milhão foram hospitalizados por Parkinson. Todos os participantes faziam parte do Medicare e tinham entre 65 e 74 anos de idade no início do estudo.

Os pesquisadores também compararam o CEP da residência cada paciente com vários tipos de dados de pesquisas geológicas que coletivamente registravam o "verde" geral de uma região. Esses dados incluíam a quantidade de vegetação presente, bem como a porcentagem de terra dedicada a parques e cursos de água.

Os resultados mostraram uma associação protetora significativa: quanto mais verde o ambiente ao redor de um indivíduo mais velho, menor o risco de hospitalização por qualquer doença neurológica. A associação foi ainda mais forte em relação ao Parkinson. Para cada aumento de 16% na cobertura do parque, o risco de internação pela doença caiu 3%. Pessoas que moravam em local em que 1% ou mais do espaço estudado era água, o risco de internação por Parkinson caiu 3% em relação àqueles em CEPs com menos cursos d'água.

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O estudo não avaliou os motivos pelos quais um ambiente com mais natureza pode reduzir esse risco neurológico. Mas os pesquisadores ressaltam que viver dentro ou ao redor de espaços verdes e azuis pode ter muitos impactos benéficos à saúde, incluindo menos poluição, estresse e ruído.

Trabalhos anteriores mostram que espaços verdes desencadeiam emoções positivas, como felicidade, e reduzem emoções negativas, como raiva. A exposição à natureza também ajuda a reduzir as respostas do corpo ao estresse, incluindo os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Isso pode ter uma relação direta com o desenvolvimento de Alzheimer, por exemplo. Estudos indicam que altos níveis de cortisol reduzem o volume do hipocampo, uma área do cérebro crítica para controlar a resposta do corpo ao estresse e executar funções essenciais de memória.

Em relação ao Parkinson, os benefícios de viver em uma área com mais natureza para reduzir a progressão da doença podem ser explicados por uma vida mais fisicamente ativa. A atividade física demonstrou desempenhar um papel na preservação a longo prazo da função motora.