Parlamentares bolsonaristas seguem questionando a credibilidade das eleições

Homem com bandeira do Brasil sobre os ombros vota no segundo turno das eleições, em uma seção em Brasília, em 30 de outubro de 2022 (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)
Homem com bandeira do Brasil sobre os ombros vota no segundo turno das eleições, em uma seção em Brasília, em 30 de outubro de 2022 (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)

Apoiadores do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) têm usado o Twitter para espalhar dúvidas sobre o as eleições que consagraram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o próximo presidente brasileiro. O conteúdo, contudo, engana e ignora informações que atestaram a lisura do processo eleitoral de 2022.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em seu perfil, destacou um trecho da primeira declaração de seu pai após o resultado das eleições. Ele também retuitou outro conteúdo em que se sugere que o processo não foi justo, livre nem confiável:

Em sua fala na última terça-feira (1º), Bolsonaro não mencionou o caráter antidemocrático das manifestações que têm ocorrido no Brasil nem refutou as teorias – usadas por seus apoiadores como justificativa para os atos – de que ocorreram fraudes nas eleições. Segundo o mandatário, "os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral".

Sem reconhecer a legitimidade das eleições, o deputado federal José Medeiros (PL-MT) falou em golpe moderno:

De forma semelhante, Giovani Cherini (PL-RS) mencionou a suposta confirmação da falta de publicidade de Bolsonaro nas rádios pelo país:

As eleições foram injustas?

As declarações de que o processo eleitoral foi injusto contrariam as conclusões de diversos observadores que acompanharam o pleito do último domingo (30) e que atestaram a confiabilidade do processo.

Um deles foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira e a jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no combate à desinformação como exemplar para a América Latina. A Uniore também classificou as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para a resolução dos problemas que surgiram como democráticas.

De maneira semelhante, a Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) publicou um relatório preliminar em que observa que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível" e concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas". Em relação à campanha eleitoral, a Rede ressaltou a "atitude positiva" do TSE "ao agir em tempo oportuno nas situações que se colocaram no decurso da campanha eleitoral por parte de qualquer dos dois candidatos presidenciais".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) – que igualmente atuou como observador no Brasil – publicou nesta segunda-feira (31) que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral. "O TSE conduziu o processo com imparcialidade em relação às diferentes forças políticas [...]. No mesmo sentido, a urna eletrônica no Brasil mais uma vez provou sua confiabilidade". O International IDEA classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias".

O TCU (Tribunal de Contas da União), que realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação, analisou os boletins de urna do segundo turno e não identificou qualquer divergência nos mais de 5 milhões de informações comparadas.

Bolsonaro nas rádios

A denúncia sobre supostas irregularidades na exibição de campanhas de Bolsonaro em rádios foi considerada frágil pela cúpula do centrão que apoiava o mandatário. O relatório apresentado para comprovar a denúncia continha inconsistências como a frequência errada de uma das estações mencionadas, além da inclusão de rádios que alegam terem exibido, sim, as campanhas do presidente. O TSE considerou o documento como "apócrifo".

Uma análise do Aos Fatos sobre as informações constatou que foram contabilizadas 9.764 inserções a mais do que as, de fato, veiculadas.

Os parlamentares citados nesta matéria – Eduardo Bolsonaro, José Medeiros e Giovani Cherini – foram contatados pelo Yahoo! Notícias, mas nãoresponderam até o momento da publicação.