Parlamentares da oposição foram beneficiados com ao menos R$ 156 milhões do orçamento secreto

Brasília - Doze parlamentares de três partidos de oposição ao governo de Jair Bolsonaro - PT, PSB e PDT - indicaram um total de pelo menos R$ 156,1 milhões em emendas do orçamento secreto, instrumento pelo qual congressistas destinaram valores do caixa da União sem serem identificados em 2020 e 2021. Os dados foram concentrados pelo gabinete do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e enviados ao ontem Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar do montante elevado, a quantia garantida a esses nomes da oposição representa apenas 15% da soma das emendas sugeridas pela cúpula do Congresso Nacional, de R$ 1,05 bilhão, que coordena a distribuição sem transparência e critérios técnicos desse tipo de repasse. No caso em questão, foram contabilizadas as indicações de repasses informados pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PL-AL), de R$ 357,4 milhões; do líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (PL-TO); do ex-líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE); e do líder do governo na Câmara, de R$ 17,5 milhões, além de Pacheco, de R$ 180,3 milhões.

Entre os parlamentares do PT agraciados com fatias do orçamento secretos, três deputados federais e dois senadores enviaram R$ 62,2 milhões entre 2020 e 2021. Campeão de indicações do partido, o deputado Flávio Nogueira (PI) indicou R$ 23,4 milhões em emendas de relator, conhecidas também como RP-9. Os senadores Humberto Costa (PE) e Fabiano Contarato (ES), que em dezembro do ano passado deixou a Rede Sustentabilidade para se filiar ao PT a convite de Luiz Inácio Lula da Silva, destinaram a municípios R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, respectivamente, em emendas sem transparência.

Filiados ao PSB, legenda do arco de alianças de Lula no plano nacional, os deputados Felipe Carreras, de Pernambuco, e Luciano Ducci, do Paraná, indicaram, juntos, R$ 25 milhões. O paranaense responde por R$ 15 milhões desse montante e Ducci pelos outros R$ 10 milhões.

No PDT, sigla do pré-candidato a presidente Ciro Gomes, quatro deputados e um senador pediram a indicação de R$ 68,9 milhões em emendas do orçamento secreto. Sozinho, o senador Acir Gurgacz, de Rondônia, requisitou o envio de R$ 35,5 milhões a municípios do seu estado.

Os outros pedetistas são Mário Heringer, de Minas Gerais (R$ 6,5 milhões), Mauro Benevides Filho, do Ceará (R$ 2,9 milhões), Robério Monteiro, também do Ceará (R$ 16 milhões) e Jesus Sérgio, do Acre (R$ 7,7 milhões).

Há diferentes razões para adversários políticos do Palácio do Planalto terem sido agraciados com fatias do orçamento secreto. Na maior parte desses casos, porém, os congressistas beneficiados, embora estejam no lado oposto de Bolsonaro no plano nacional, mantêm alianças com governistas na esfera estadual.

Outros 23 parlamentares do PT, PSB, PDT, Rede e PCdoB declararam por meio dos ofícios que não receberam nenhum tipo de emenda de relator. Alguns deles ainda aproveitaram para criticar as verbas indicadas pelos colegas da oposição

As informações constam de uma série de documentos remetidos pelo Congresso ao STF. Cerca de 70% dos integrantes da Câmara e do Senado responderam - ou seja, ainda falta a informação relativa a outros 187 parlamentares.

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