Parlamentares e ministros não acreditam em versão dada por Salles sobre ofensa a Maia

CAMILA MATTOSO
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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 22.10.2020 - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 22.10.2020 - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Parlamentares e auxiliares de Jair Bolsonaro (sem partido) afirmam nos bastidores que não acreditam na versão de Ricardo Salles, do Meio Ambiente, para justificar a ofensa a Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Depois de chamar o presidente da Câmara dos Deputados de "Nhonho", em referência ao personagem do Chaves, o ministro afirmou que sua conta foi hackeada e que não é o autor da publicação. A conta de Salles no Twitter está suspensa.

A avaliação é a de que ele apresentou essa versão como uma desculpa para diminuir a repercussão do episódio.

Auxiliares do presidente falam que, tendo sido Salles o autor, não teria nenhum questionamento do Palácio do Planalto, especialmente por ser contra Maia, com quem Jair Bolsonaro não tem boas relações.

Entre parlamentares, a leitura é a de que Salles conteve a escala da crise ao dizer que teve a conta invadida, ainda que não se acredite nesta versão.

Sua saída em razão do episódio, porém, não é considerada.

Ele é um dos remanescentes da ala ideológica no governo, após a saída de Abraham Weintraub, e o distanciamento de Olavo de Carvalho, e isso lhe confere prestígio entre os seguidores mais radicais do bolsonarismo nas redes sociais.

Dessa maneira, parlamentares acreditam que é difícil Bolsonaro afastar o ministro, sob pena de se indispor com essa parcela de seguidores mais ruidosos.