Parlamentares vão ao STF para tornar público vídeo de reunião ministerial

Bruno Góes e Isabella Macedo

BRASÍLIA - Parlamentares de Câmara e Senado decidiram recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tornar público vídeo de reunião ministerial do dia 22 de abril que está provisoriamente sob sigilo por decisão do ministro Celso de Mello. A gravação, enviada ao Supremo, foi apontada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro como um elemento de prova para a possível interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

Segundo o relato de três fontes que assistiram ao vídeo, a gravação registra que Bolsonaro defendeu trocas no comando da PF para evitar que familiares e amigos seus fossem "prejudicados" por investigações em curso.

Nesta terça-feira, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da Minoria no Senado, anunciou que pediu ao relator da investigação no STF, o ministro Celso de Mello, o levantamento do sigilo do vídeo.

- Acabamos de peticionar ao ministro Celso de Mello para que o sigilo da dita reunião ministerial venha a público. É um dever republicano que a Nação exige nesse instante - disse Randolfe.

Já o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) decidiu acionar o STF para que a gravação seja encaminhada ao Congresso Nacional. O parlamentar argumentará que o material deve ser analisado pelo Legislativo, já que uma de suas funções é fiscalizar atos do Executivo. Além disso, vai registrar que o conteúdo é de interesse público.

- Estou entrando com ação no STF e requerimento na Câmara para que o Congresso tenha acesso ao conteúdo da gravação da reunião de ministros em que Bolsonaro admite que quer interferir na PF para proteger familiares. É crime de responsabilidade - diz Freixo.

Ex-líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) também pediu, nas redes sociais, que Celso de Mello divulgue o vídeo.

"A sessão da tarde de hoje na PF mostrou a reprise do filme "O presidente antirrepublicano". Jair Bolsonaro queria proteger a família e abafar investigações. E, pra isso, ameaçou demitir Sergio Moro. É importante o vídeo vir à tona na integra", escreveu a parlamentar.

Ao postar reportagem sobre o conteúdo do vídeo nas redes, o vice-líder do DEM e integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri, perguntou se "alguém tinha alguma dúvida" sobre os motivos de Bolsonaro para interferir na PF.

"Se existe alguma coisa que o Governo Federal faça ou algo que o presidente diga que impeça a gravação de vir a público, então isso é no mínimo algo que não deveria estar sendo feito ou dito", escreveu o deputado.

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), avaliou como grave uma suposta interferência na PF para que Bolsonaro protegesse sua família e aliados.

- O conteúdo da reunião ministerial denunciada pelo ex-ministro Sérgio Moro precisa vir a público. É uma denúncia que de fato precisa ser apurada, porque o Brasil não merece ter um presidente sob suspeição - afirmou.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) disse em suas redes sociais que o conteúdo revelado pela imprensa pode ser a prova de que Bolsonaro interferiu politicamente na PF. "A casa pode ter caído de vez para Bolsonaro", completou.