Parlamento britânico se recusa mais uma vez a votar acordo do brexit

***ARQUIVO***LONDRES, REINO UNIDO, 24.07.2019: PREMIÊ-REINO UNIDO - O novo líder do Partido Conservador, Boris Johnson, discursa na Downing Street após assumir o cargo de premiê do Reino Unido, substituindo sua correligionária Theresa May, em Londres. (Foto: Romena Fogliati/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Parlamento britânico se recusou novamente nesta segunda (21) a votar o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, acertado pelo premiê Boris Johnson com a UE na semana passada.

Havia a expectativa de que o pacto seria votado esta semana, depois de os deputados terem se abstido do "sim ou não" no sábado (19) e aprovado uma emenda que adiava a votação.

O presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, argumentou que votar nesta segunda seria colocar a mesma questão duas vezes para o Parlamento em um prazo de 48 horas.

"A moção não será debatida hoje, pois seria repetitivo e desordenado fazê-lo", disse John Bercow, estabelecendo assim uma nova derrota para o premiê, que prometeu diversas vezes tirar o Reino Unido do bloco em 31 de outubro.

O porta-voz de Boris afirmou que o premiê está desapontado com a decisão do Parlamento. Ele descreveu a decisão de Bercow como uma negação da chance de o governo entregar o brexit aos britânicos e acrescentou que o Executivo implantará a legislação já estabelecida para o desligamento a partir desta semana.

Na prática, a decisão dos parlamentares tomada no sábado e ratificada nesta segunda obrigou Boris a pedir um novo adiamento do prazo para deixar o bloco. A nova data-limite, de acordo com uma legislação aprovada pelo Parlamento para evitar uma saída sem acordo, é 31 de janeiro de 2020.

Após a sessão parlamentar do sábado, a UE recebeu três cartas de Boris: a primeira, sem assinatura, pede uma prorrogação de três meses. A segunda, assinada, afirma que não deseja o adiamento. E a terceira, do embaixador britânico na UE, Tim Barrow, explica que a extensão foi solicitada apenas para cumprir a lei.

A decisão do Parlamento deixou o Reino Unido na incerteza. 

Boris, que chegou ao poder no fim de julho com a promessa de retirar o Reino Unido da UE a qualquer custo, é contrário a qualquer adiamento do divórcio, previsto inicialmente para 29 de março e prorrogado em duas ocasiões.

O texto negociado com Bruxelas regulamenta as condições de divórcio depois de 46 anos de convivência, permitindo uma saída suave, acompanhada de um período de transição que deve prosseguir ao menos até o fim de 2020.

Sem um acordo, o Reino Unido enfrentaria uma saída "dura", o que faz com que o setor econômico tema o caos nas fronteiras, a escassez de alimentos e medicamentos, o aumento dos preços e até mesmo uma recessão.