Parlamento do Iraque aceita renúncia de premiê

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Parlamento iraquiano aceitou, depois de uma votação neste domingo (1º), a renúncia do primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi, depois de semanas de intensas manifestações. 

O Parlamento vai pedir ao presidente do país que aponte um novo primeiro-ministro.

Segundo a Constituição, o presidente Barham Ahmed Salih deve consultar o maior partido do Parlamento para formar um novo governo --o que pode levar semanas.        

Adel Abdul Mahdi anunciou nesta sexta-feira (29) que apresentaria sua renúncia ao Parlamento do país. 

A entrega do cargo do premiê aconteceu depois que o principal líder xiita do Iraque, o aiatolá Ali al-Sistani, ter pedido aos legisladores que reconsiderassem o apoio a um governo abalado por manifestações violentas.  Nas últimas semanas, conflitos mataram mais de 400 pessoas, sobretudo ativistas, e representam a maior crise no Iraque dos últimos anos, desde a derrota do Estado Islâmico, em 2017. A anúncio da renúncia, porém, não arrefeceu a pressão de manifestantes, que protestam contra falta de emprego, de serviços e corrupção no governo. 

Os iraquianos voltaram às ruas neste sábado (30), bloqueando estradas em Bagdá e no sul do país --onde uma estação de polícia foi cercada em Nassiriya e, em Diwaniya, milhares reivindicam "a queda do regime". 

Forças de segurança têm usado munição real, gás lacrimogêneo e granadas contra os manifestantes.

Na quinta-feira (28) aconteceu um dos episódios mais violentos dos protestos, quando forças de segurança iraquianas mataram ao menos 45 pessoas a tiros quando manifestantes invadiram e incendiaram o consulado do Irã durante a noite, na cidade de Najaf, sede do clero xiita iraquiano.

Galeria Consulado iraniano é queimado no Iraque Foi ato mais violento em 2 meses de protestos contra governo Os enfrentamentos opõem grupos xiitas de Bagdá e do sul do país e uma elite dominante xiita acusada de corrupção e de ser controlada pelo Irã. 

Além dos xiitas, a atual classe política do Iraque é formada principalmente por clérigos e líderes paramilitares, incluindo os que viveram no exílio antes da invasão liderada pelos EUA para derrubar Saddam Hussein, em 2003.