Parlamento israelense rejeita compromisso para evitar novas eleições

Jonah MANDEL, Ben Simon
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O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyhu

Os parlamentares israelenses rejeitaram nesta terça-feira (segunda no Brasil) um acordo sobre o orçamento do Estado, aumentando as chances de dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.

A campanha de vacinação contra a covid-19 acaba de começar em Israel e o país pode voltar às urnas pela quarta vez em menos de dois anos, após três duelos anteriores que não resultaram em uma vitória clara entre o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o ex-Chefe do Exército Benny Gantz.

No último confronto eleitoral, em março passado, os dois homens conseguiram colocar suas diferenças de lado e formar um governo de “unidade e urgência” para enfrentar a crise da saúde, pondo fim à mais longa crise política da história do Estado Hebraico.

O acordo incluía uma rotatividade do cargo do primeiro-ministro e estipulava que o governo adotaria um orçamento único para dois anos (2020 e 2021), mas o partido Likud de Netanyahu propôs votar em dois orçamentos diferentes, o que a formação "Azul-Branco" de Gantz rejeitou.

Esse ponto tornou-se o calcanhar de Aquiles da coalizão e também, segundo a imprensa israelense, o estopim de tensões entre Netanyahu e Gantz.

A votação do orçamento foi adiada para 23 de dezembro. Se esse orçamento não tiver sido adotado até então, o Knesset (Parlamento) será automaticamente dissolvido e novas eleições serão convocadas até o final de março de 2021.

- "Levantamento judicial" -

Na tentativa de amenizar a crise, o partido de Gantz propôs nas últimas horas que a aprovação do orçamento de 2020 fosse adiada para 31 de dezembro e a de 2021 para 5 de janeiro.

Mas, em votação na madrugada desta terça-feira, 49 deputados votaram contra o projeto e 47 a favor. Após a rejeição desta proposta, os deputados israelenses terão que propor um novo compromisso antes do final do dia se quiserem evitar novas eleições.

Pouco antes dessa votação, Netanyahu, que deverá comparecer no início do ano a um julgamento por corrupção, estelionato e abuso de poder, acusou Gantz de tramar uma "revolta judicial".

De acordo com o primeiro-ministro, Gantz quer dar ao ministro da Justiça, Avi Nissenkorn, um membro da formação centrista Azul-Branco, um papel muito importante na nomeação de juízes e promotores que "violariam" seu acordo de governo de unidade.

"Não queremos eleições ... mas se novas eleições nos forem impostas, nós as ganharemos", declarou Netanyahu, que está na mira até de seu próprio partido.

- Divisão da direita -

Seu ex-ministro Gideon Saar anunciou em dezembro a criação de sua própria formação Tikva Hadasha (Nova Esperança), abertamente direitista, e para a qual as urnas dão a segunda posição nas intenções de voto.

Embora o Likud lidera as pesquisas, o surgimento desse novo partido e a ascensão da formação Yamina de direita radical de outro ex-ministro, Naftali Bennett, diminuiria os votos de Netanyahu e poderia complicar o jogo da aliança pós-eleitoral.

Por sua vez, o ex-chefe do Exército Benny Gantz viu seu apoio diminuir e deveria estar mais interessado em buscar um acordo do que se lançar em um novo combate eleitoral, ressalta o jornal Yediot Aharonot, o mais vendido na imprensa israelense.

“Ele (Gantz) sabe que a derrota o espera. E por isso, na sua posição de perdedor, pode se permitir atuar com base no que é melhor para o país”, tentando evitar novas eleições, acrescentou o jornal.

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