Parlamento israelense votará no domingo sobre futuro governo sem Netanyahu

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Yariv Levin discursa no Parlamento de Israel em 7 de junho de 2021

O Parlamento israelense se pronunciará, no próximo domingo (13), sobre o futuro governo do país, última etapa antes da posse de uma coalizão heterogênea que acabaria com 12 anos de mandato do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Apesar dos apelos dos integrantes da futura coalizão para acelerar o prazo e evitar surpresas de última hora, o presidente do Parlamento israelense, membro do partido Likud de Netanyahu, utilizou quase o tempo máximo de sete dias para organizar a votação.

"O debate e a votação sobre o novo governo acontecerão no domingo, 13 de junho, em uma sessão especial do Parlamento", afirmou em um comunicado Yariv Levin, presidente da Kneset, o Parlamento de Israel.

Os deputados devem se pronunciar sobre a coalizão heterogênea formada no prazo final, em 2 de junho, pelo líder da oposição Yair Lapid com dois partidos de esquerda, dois de centro, três de direita, incluindo o Yamina (nacionalista radical), e o partido árabe Raam (islamita).

Lapid, líder do partido Yesh Atid, elogiou no Twitter o anúncio de Levin e destacou que "o governo de união está em marcha pelo bem dos cidadãos de Israel".

Com integrantes tão diferentes, a orientação do governo, as condições de entrada e saída da coalizão, assim como a distribuição dos ministérios ainda estão sendo analisadas, mas devem ser apresentadas em um documento antes da votação.

Mas já foi definido um rodízio no cargo de primeiro-ministro: o líder do partido Yamina, Naftali Bennett, assumirá o posto até 2023 e depois cederá o cargo a Lapid, até 2025.

Esta coalizão acabará com dois anos de crise política no país, período em que foram organizadas quatro eleições legislativas.

Também afastará do poder o mais longevo primeiro-ministro israelense, Netanyahu, que passou 15 anos como chefe de Governo (1996-1999 e de 2009 até agora).

- Unidos contra Netanyahu -

Unidos em sua rejeição a Netanyahu, os membros da "coalizão da mudança" divergem em quase todo o resto: a política econômica, a colonização ou a questão delicada sobre as relações entre Estado e religião.

Um de seus principais projetos é a aprovação de uma leia que impediria em definitivo uma nova candidatura de Netanyahu, julgado por fraude e corrupção em vários processos.

Mais perto do fim do que nunca em sua carreira política, Netanyahu, de 71 anos, multiplica as advertências e ataques contra o novo governo, o que provoca preocupações, inclusive entre as forças de segurança israelenses.

A maior preocupação é a polêmica "Marcha das bandeiras", um evento organizado por figuras da extrema direita e previsto inicialmente para quinta-feira em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado por Israel.

O percurso da marcha, considerada uma provocação pelos palestinos, não foi aprovado pela polícia e seus organizadores a suspenderam em um primeiro momento.

Mas, de acordo com a imprensa israelense, Netanyahu e membros de seu partido manobram para manter a manifestação, apesar das críticas do ministro da Defesa e das forças de segurança.

O Hamas advertiu para uma nova escalada em caso de manutenção da marcha na região, que foi a origem da recente guerra de 11 dias entre Israel e o movimento islamita que governa a Faixa de Gaza.

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