Parlamento do Kosovo elege reformista Vjosa Osmani presidente

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Vjosa Osmani

A reformista Vjosa Osmani foi eleita, neste domingo (4), presidente do Kosovo pelos deputados, confirmando a chegada ao poder de uma classe política de nova geração que se declara determinada a combater a corrupção.

A jurista, de 38 anos, obteve 71 votos dos 82 deputados presentes, segundo contagem oficial - proporção superior ao quórum necessário para a sua confirmação (80 deputados dos 120 que integram o hemiciclo).

"Constato que a Assembleia da República do Kosovo elegeu a Sra. Vjosa Osmani-Sadriu presidente da República", declarou o presidente do Parlamento, Glauk Konjufca.

O movimento de esquerda Vetevendosje (VV) do primeiro-ministro Albin Kurti, aliado de Osmani, conquistou mais de 50% dos votos nas eleições de fevereiro, prometendo erradicar a corrupção neste pobre território consumido pela instabilidade política.

Essas eleições confirmaram a queda da velha guarda de antigos comandantes da guerra contra as forças sérvias (1998-99), que dominaram a vida política por mais de uma década.

Duas semanas após a formação do governo de Albin Kurti, Vjosa Osmani obteve maioria simples, no terceiro turno.

Uma vitória que era incerta até o último momento, já que os partidos da oposição, especialmente as formações de ex-guerrilheiros e de representantes da minoria sérvia, boicotaram a sessão parlamentar.

"Prometo fortalecer o Estado e o estado de Direito", declarou Osmani ao tomar posse, prometendo ser a "presidente de todos".

"Não somos tantos o suficiente para nos dividirmos. Minha porta estará aberta para todos", afirmou.

Dos 15 ministros do governo, seis são mulheres, uma proporção nunca antes alcançada em um território onde as ideias patriarcais estão arraigadas.

Dos 120 deputados, um terço são mulheres.

"As mulheres têm o direito de estar onde quiserem", disse Osmani, que mal conseguiu conter as lágrimas.

"Não parem, não deixem de seguir em frente. Todos os seus sonhos podem se tornar realidade", lançou.

A votação começou no sábado e deveria terminar em no máximo três dias. Como o quórum necessário não foi alcançado ontem, a sessão foi suspensa e a votação foi retomada neste domingo.

De acordo com a Constituição, se o quórum não fosse alcançado teria levado à convocação de legislativas antecipadas, as sextas desde a declaração de independência do país em 2008.

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