Parlamento ucraniano confirma demissão de chefe de serviço de Inteligência e procuradora-geral

O Parlamento ucraniano confirmou a decisão do presidente Volodymyr Zelensky de demitir a procuradora-geral da Ucrânia e o chefe da agência de Inteligência nacional, na maior reorganização no governo desde o início da invasão russa ao país.

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Na primeira votação, a demissão de Ivan Bakanov, chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), recebeu 265 votos no plenário. Na segunda, a saída de Iryna Venediktova teve o apoio de 264 parlamentares: para que as mudanças fossem confirmadas, elas precisavam de pelo menos 226 votos.

O anúncio das demissões, feito no domingo, pegou o país de surpresa, até porque os dois eram considerados nomes leais dentro do governo — Bakanov era amigo de infância do atual presidente. Contudo, ambos foram apontados como responsáveis por uma série de falhas que, segundo Zelensky, permitiram que elementos “pró-Rússia” se infiltrassem dentro do Estado ucraniano, pondo em risco a estabilidade do próprio governo.

— Tal série de crimes contra os fundamentos da segurança nacional do Estado e as conexões que foram registradas entre os funcionários das forças de segurança da Ucrânia e os serviços especiais da Rússia colocam questões muito sérias a estes dois líderes — disse Zelensky, no domingo.

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Ele ainda revelou que foram abertos 651 processos criminais contra funcionários do governo por “alta traição” e por atos vistos como de colaboração com Moscou.

Bakanov, chefe de uma das mais poderosas agências do governo ucraniano, era alvo de críticas e denúncias de corrupção desde o início do mandato de Zelensky. Em 2020, ajudou a redigir um projeto de reforma do SBU, mas o plano naufragou porque, na visão de políticos, especialistas e da sociedade civil, tinha como único propósito expandir os poderes do órgão, sem qualquer tipo de controle externo.

Após o início da guerra, uma sequência de denúncias de altos funcionários da SBU acusados de vazar informações para os russos aumentou a pressão sobre Bakanov, e foi crucial para sua demissão. Zelensky prometeu mudanças na agência, e sinalizou que 28 servidores poderão ser demitidos.

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Já Venediktova, primeira mulher a ocupar o posto de procuradora-geral da Ucrânia, era a responsável por processos relacionados a crimes de guerra cometidos pelas forças russas no país, e era uma figura recorrente na imprensa ocidental.

No passado, ela foi acusada de pressionar veículos de imprensa críticos a Zelensky, e de sabotar processos contra integrantes do governo, como o vice-chefe de Gabinete do presidente Oleh Tatarov, em 2020. Na ocasião, ela teria atuado em parceria com Bakanov para arquivar o processo. Segundo informações da imprensa ucraniana, os dois substitutos nos cargos, Oleksiy Symonenko, na Procuradoria Geral, e Vasyl Malyuk na agência de Inteligência, também são ligados a Tatarov, sugerindo que as trocas poderiam ter motivação política.

Na sessão do Parlamento que marcou sua saída do cargo, Venediktova pediu que o país permaneça unido, mesmo diante de tantas mudanças no alto escalão.

— O presidente tinha o direito de tomar tal decisão. Mas eu acredito que, hoje, um soldado nas trincheiras não deve pensar no poder e no que está acontecendo no poder — afirmou, citada pela CNN, se dizendo “orgulhosa” pelo seu trabalho no cargo. — Precisamos vigiar esses canalhas que estupraram, mataram, atiraram em estruturas civis, para que seja feita justiça. Fizemos tudo para que isso acontecesse. Temos equipes móveis trabalhando pelo país, formadas por especialistas, e temos uma metodologia comprovada.

No começo do mês, em entrevista à BBC, Venediktova afirmou que cerca de 21 mil casos de possíveis crimes de guerra estavam sendo investigados.

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