Protesto contra comício de Marine le Pen termina em confusão na Córsega

Paris, 8 abr (EFE).- Os distúrbios deste sábado na cidade de Ajaccio, na Córsega, como consequência de um protesto contra a candidata de extrema-direita às eleições presidenciais da França, Marine le Pen, fizeram com que o local onde seria o comício da política da Frente Nacional (FN) fosse esvaziado.

Dezenas de pessoas do denominado Coletivo contra o Fascismo que denunciavam a presença de Le Pen em Ajaccio entraram em confronto com militantes da FN e integrantes dos serviços de segurança, indicou a emissora "France Info".

Isso levou à intervenção da polícia, que esvaziou o espaço previsto para o ato eleitoral.

Os agentes utilizaram gás lacrimogêneo para separar os membros das duas facções que protagonizaram uma enorme briga, conforme mostraram imagens de televisão.

A polícia também deteve integrantes do grupo que tinha organizado o protesto, que, de acordo com a "France Info", eram independentistas da Córsega.

O comício de Le Pen começou com pouco mais de uma hora de atraso sobre o horário inicialmente previsto em um espaço diferente do que estava programado.

Como é habitual, uma parte importante do discurso da candidata foi dedicado às críticas à União Europeia (UE), a quem acusou, entre outras coisas, de organizar "a concorrência mais selvagem e mais desleal", com a ausência do controle de fronteiras que permite a imigração.

A política francesa também responsabilizou a UE de ameaçar as "identidades dos povos" porque, para Bruxelas, essas identidades "são um freio a sua lógica mercantilista".

Marine le Pen disse que se vencer as eleições no segundo turno, irá "no dia seguinte" a Bruxelas para dizer "que tudo isso acabou" e que negociará com "determinação" para, no final do processo, convocar um referendo para que os franceses se pronunciem diretamente sobre as relações futuras da França com a Europa.

"Se as negociações forem um sucesso, vou propor aos franceses que fiquemos em uma União Europeia totalmente reformada. Se forem insuficientes, proporei a saída para criar outra forma de cooperação (...), sem colocar em perigo nossos interesses vitais", afirmou a candidata da extrema direita. EFE