Parque Bruno Covas tem boas opções de lazer, mas acesso ruim para quem vai a pé

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em frente ao shopping Cidade Jardim, o mais luxuoso de São Paulo, está uma das entradas do parque linear Bruno Covas, às margens do rio Pinheiros. Considerado o principal projeto urbanístico da gestão do ex-governador João Doria e aposta do então tucano de legado para a cidade de São Paulo, o local possui boas atrações em seu trecho já inaugurado, mas o acesso, dificultado especialmente para quem vai a pé, é um ponto negativo.

Localizado entre as zonas sul e oeste da capital, o parque possui dois trechos. O primeiro, de 8,2 quilômetros, começa na sede do Pomar Urbano -projeto iniciado em 1999 para recuperar a vegetação às margens do rio Pinheiros-, na avenida Guido Caloi, região do Jardim São Luiz (zona sul), e termina na ponte Cidade Jardim.

O segundo trecho, de 8,9 quilômetros, fica entre as pontes Cidade Jardim e a área de retiro dos trens da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos), nas proximidades da ponte do Jaguaré (zona oeste).

As atrações estão concentradas nesse primeiro trecho, onde já há ciclovia, pista de caminhada, playgrounds, áreas de piquenique, estações de ginástica e mirante, além da passarela flutuante, principal ponto de encontro de visitantes. Frequentadores ouvidos pela reportagem dizem aprovar o novo espaço, mas afirmam que algumas melhorias são necessárias.

Para quem vai a pé ou de bicicleta, o acesso ao parque Bruno Covas pode ser feito via CPTM. A melhor opção é desembarcar na estação Vila Olímpia, da linha 9-esmeralda, mas as sinalizações não são claras e, dependendo do local do parque a que o visitante queira chegar, o trajeto é longo.

Os que vão de carro têm a opção de deixar o veículo em dois estacionamentos.

Quem vai ao parque também aponta a necessidade de instalação de mais latas de lixo e de sinalização mais eficiente na pista oeste, disponível para corrida e caminhada e também usada por ciclistas.

"É um problema", diz a criadora de conteúdo Karina Teixeira, 33, que explica que na margem leste o uso é exclusivo para ciclistas. "Por bom senso, a prioridade daqui deveria ser para quem está correndo, porque a bike já tem uma pista só para eles", afirma. "Quem está lá por lazer de bicicleta, geralmente, vai entender, mas quem está de 'speed' chega já dizendo 'sai, sai, sai'. Isso não é legal, se quer velocidade, vai para lá."

Para ela, como o parque está recebendo cada vez mais gente, é possível que chegue a um ponto em que a pista da margem oeste ficará sobrecarregada.

A enfermeira Rendrica Marta Furegatti, 45, diz concordar com os problemas apontados por Karina. Ela usa o parque para treinos de corrida e de bicicleta. "Precisaria de um espaço do corredor, uma faixa paralela, e outra para o ciclista. Quem é atleta profissional já sabe que deve correr na beira da faixa, e não no meio, mas falta sinalização do parque em relação a isso. Placas resolveriam essa questão", avalia Furegatti.

O Consórcio Novo Rio Pinheiros informou que o parque possui sinalizações para as práticas esportivas, mas que vai intensificar a comunicações para os frequentadores.

Sobre a necessidade de mais cestos para lixo, o consórcio disse que instalou lixeiras a cada dois quilômetros nos pontos de apoio do parque. "Estes locais são monitorados para evitar que os animais alcancem e se alimentem de resíduos. Conforme o outro trecho do parque for implementado, haverá o aumento na instalação de novas lixeiras."

Apesar das queixas, Karina diz gostar do espaço e conta que já frequentava o local antes mesmo de se tornar um parque. "Sou mulher e tinha um pouco de medo de vir sozinha. Hoje não tenho mais", afirma.

"É muito legal ver como cresceu. Ficou um espaço de diferentes modalidades, agrega e está a cada dia melhor", diz ela, que elenca entre as qualidades o fato de o espaço ser organizado e ter diferentes opções de lazer, como parquinho e aluguel de bike e pontos de venda água de coco.

A gerente de compras Leidiane Barbosa, 35, que se prepara para correr uma meia-maratona, afirma que um dos pontos positivos do parque é que ele é plano e reto, com locais disponíveis para as pessoas se hidratarem. Conta, porém, que prefere ir ao parque na parte da manhã ou no fim da tarde, uma vez que o local possui poucas sombras e o forte calor prejudica os treinos.

Também há no local cinco centros de convivência e apoio à visitação. De acordo com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, em breve serão inauguradas quadras poliesportivas, incluindo uma de areia, e também novos sanitários.

Ainda em fase de implementação, o segundo trecho deve contar com equipamentos de esporte, lazer e cultura, conforme consta no projeto.

Além disso, ambos os trechos devem receber novas áreas verdes, áreas de descanso e alimentação, serviços voltados aos ciclistas, assistência de primeiros socorros e conexão intermodal com as ciclovias e com as estações de ônibus, metrô e trem.

Fruto de investimento privado, o projeto é estimado em R$ 58 milhões. O parque tem patrocinadores como Santander, Heineken, Votorantim, Sabesp, Asics, Caloi e Strava.

A construção da área de lazer, iniciada em 2021, faz parte de um projeto do Governo de São Paulo para despoluição e revitalização das margens do rio Pinheiros.

Lançado em 2019, o Programa Novo Rio Pinheiros já conectou 650 mil imóveis que despejavam seu esgoto no rio ao sistema de tratamento. "Isso significa que 1,9 milhão de pessoas passaram a contar com serviços de saneamento básico, o equivalente a toda população da cidade de Curitiba", diz, em nota, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado.

A pasta afirma, ainda, que já foram retiradas 86,6 mil toneladas de lixo, entre garrafas pet, bicicletas, pneus e plásticos. Há também o trabalho de limpeza do leito, com remoção de mais de 779 mil m³ de sedimentos (mais de 30 mil caminhões basculantes). Como resultado direto, o rio Pinheiros já apresenta água sem odor e com a volta de vida aquática, diz a secretaria.

Para Karina Teixeira, a mudança de odor é perceptível. "Tá muito melhor", diz.

Em nova etapa do programa, estão sendo construídas cinco unidades de recuperação da qualidade das águas. As unidades serão instaladas próximo aos córregos Jaguaré, Pirajussara, Antonico, Cachoeiro e Água Espraiada. As obras, segundo o governo do estado, devem ser concluídas ainda neste ano e deverão retirar 1,5 mil litros de esgoto por segundo do rio.