Parque da Serra da Tiririca, entre Niterói e Maricá, está sem gestor e com estrutura reduzida

Leonardo Sodré
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Pedro Teixeira / Agência O Globo

NITERÓI — Após a exoneração do diretor da unidade de conservação do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), na última segunda-feira, a área de proteção permanente entre os municípios de Niterói e Maricá ficou sem gestor. Em carta aberta ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o conselho consultivo do parque, que reúne representantes de órgãos públicos, ambientalistas e lideranças comunitárias, pede a nomeação de um quadro técnico e acusa que a falta de critério na escolha do cargo levou à redução da estrutura de fiscalização e à ausência completa de ações administrativas no último ano.

A falta de gestão técnica, segundo os conselheiros do Peset, causou a redução de 19 guarda-parques para 13, em um ano, além da queda de quatro carros para apenas dois. Durante o período, também não foi feita a revisão do Plano de Manejo da unidade de conservação. O conselho não foi convocado para nenhuma reunião no último ano, o que, para o grupo, comprova a ausência de qualquer ação de gestão no parque.

O Inea diz que está escolhendo um novo chefe para o Peset, “de forma que atenda aos anseios, tanto da nova gestão quanto da comunidade do entorno”. De acordo com o órgão, o futuro gestor apresentará ao conselho consultivo um cronograma de reuniões que serão realizadas em 2021.

Sobre a redução de guarda-parques, o Inea diz que o contingente recebe reforço de pessoal, por meio de remanejamento, de acordo com a necessidade da unidade de conservação, e dois carros aguardam manutenção para voltarem a operar.

Com a baixa estrutura e a consequente redução da fiscalização, invasões ocorreram durante a pandemia. Pelo lado de Maricá, em Itaipuaçu, moradores denunciam que áreas não edificáveis na zona de amortecimento do Peset, ao longo do Rio Itaocaia, pelo lado do loteamento São Bento da Lagoa, estão sendo muradas por grileiros. Uma via pública, que consta no loteamento original da área, chegou a ser fechada pelos infratores.

— Já fizemos diversas denúncias, inclusive identificando os responsáveis, mas eles têm liberdade para invadir e estão construindo a menos de 200 metros da área do parque, na zona de amortecimento, onde não é permitido — conta um morador que pediu para não ter o nome revelado.

A última ação de fiscalização na região de Itaipuaçu feita pelo Inea foi no dia 13 de novembro. Segundo o órgão, a operação levou à demolição de uma construção irregular. O Inea afirma que monitora o Peset, com o objetivo de coibir irregularidades ambientais. “Ao longo deste ano, foram realizadas 40 operações que resultaram em 36 autuações, três advertências e um embargo para uma construção irregular”, diz, em nota.