Parque das Aves reabre na sexta em clima de luto após morte de flamingos

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***ARQUIVO***FOZ DO IGUAÇU, PR, BRASIL 08.01.2018 Flamingos no Parque das Aves, em frente ao parque da Cataratas do Iguaçu (lado brasileiro) (Foto: Vanessa Alves Baptista/Folhapress)
***ARQUIVO***FOZ DO IGUAÇU, PR, BRASIL 08.01.2018 Flamingos no Parque das Aves, em frente ao parque da Cataratas do Iguaçu (lado brasileiro) (Foto: Vanessa Alves Baptista/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após um acidente na madrugada de terça-feira (9), que culminou na morte de 174 flamingos, o Parque das Aves, localizado em Foz do Iguaçu, no Paraná, tenta seguir em frente. Ainda em clima de luto, as portas para o público devem voltar a abrir nesta sexta-feira (12).

O trágico episódio aconteceu após duas onças-pintadas que fazem parte do Parque Nacional do Iguaçu entrarem no local que abrigava as aves. Câmeras de monitoramento registraram que, durante a madrugada, os felinos invadiram o local onde estavam os animais. Trata-se de uma fêmea, conhecida como Indira, e seu filhote de um ano de idade, Aritana, que estava aprendendo a caçar.

De acordo com informações dadas pelo Parque das Aves, nem todos os animais morreram pelo encontro direto com as onças. Alguns vieram a óbito pelo estresse da situação em um fenômeno conhecido como miopatia de captura. O número inicial de mortes era de 172 das 176 aves que estavam no local, mas outras duas aves morreram posteriormente, chegando a 174 óbitos.

Restaram ao parque apenas quatro flamingos. Dois adultos sobreviventes ao ataque das onças, que ainda não estão 100% recuperados e ainda inspiram cuidados, além de duas aves de quatro meses, que estavam na sala de filhotes.

"A nossa equipe está em luto. A nossa maior preocupação neste momento é acolher os nossos colaboradores, muito fragilizados por tudo que aconteceu. É uma cicatriz na história do Parque das Aves. Estamos tristes, mas também confiantes que daqui para frente nos reergueremos, como fizemos outras vezes", afirma Anna Croukamp, fundadora do Parque das Aves.

"Estamos todos desolados com a situação, pois cada animal aqui é um membro da nossa família. Nosso time conviveu diariamente com cada um deles trabalhando incansavelmente para oferecer sempre os melhores cuidados. Mas também temos ciência que estamos em meio à floresta, um ambiente natural e povoado de vida silvestre. Essa fatalidade foi um evento inesperado", reforça Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves.

Mário Diba era o tratador responsável pelos cuidados dos flamingos nas últimas décadas. "Foi uma surpresa. É arrasador, não consigo nem explicar o que estou sentindo. Depois de tanto tempo de trabalho, luta e carinho por esses animais: é uma situação muito triste. Até agora não estou acreditando. Acho que a gente não vai esquecer disso tão cedo", disse Diba.

A invasão dos felinos à área destinada às aves é tratada como um acidente, uma vez que o local tinha medidas protetoras para evitar a aproximação de grandes felinos.

"Já havíamos instalado, além da cerca que está em todo arredor do parque, outros instrumentos desenvolvidos para repelir a presença destes animais no entorno do recinto dos flamingos. São utilizadas luzes pulsantes, medida reconhecida como eficaz para manter felinos afastados. Além disso, o recinto é monitorado por câmeras de segurança e também por armadilhas fotográficas", explica Paloma.

A colônia de flamingos existe no local desde 1995, ano em que recebeu as primeiras 16 aves resgatadas. Inaugurado em 7 de outubro de 1994, o Parque das Aves possui 16 hectares de Mata Atlântica e mais de 1.300 aves, de cerca de 130 espécies, sendo mais de 50% proveniente de apreensões. O parque também participa de diversos programas de conservação.

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