Parque e restaurantes lotam no feriado da zona leste de SP

ALFREDO HENRIQUE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Paulistanos aproveitaram o calor do feriado desta segunda-feira (25), aniversário da cidade de São Paulo, e lotaram locais como o parque do Carmo e restaurantes, muitos sem o cumprimento de regras para se evitar a propagação do novo coronavírus. O feriado desta segunda-feira foi a última chance de o paulistano frequentar esses locais, fora os dias úteis. Nos próximos dois fins semana, todo o estado de São Paulo entra na fase vermelha do Plano São Paulo. Parques deverão fechar e restaurantes só poderão oferecer delivery, ou seja, as pessoas também não vão poder comer nos estabelecimentos. Lojas e shoppings também não poderão abrir nos próximos dois sábados e domingos. No parque do Carmo, logo no estacionamento havia fila de carros com motoristas à procura de vagas. As vias do local estavam margeadas por veículos estacionados, em volta dos quais milhares de pessoas circulavam. Nos gramados do parque foi difícil encontrar alguém usando máscara de proteção. Dezenas de crianças brincavam e famílias se aglomeravam próximo a um coreto, onde ocorria uma festa de aniversário. O projetista Cláudio de Sousa Ribeiro, 39 anos, e sua mulher, a artesã Cristiane de Oliveira Ribeiro, 38, foram umas das poucas pessoas que usavam máscaras quando a reportagem esteve no local, no início da tarde. "Tivemos Covid-19 e sabemos, na prática, os males que esse vírus pode fazer", afirmou o projetista. Ele contou ter ficado cinco dias internado em um hospital particular de Guarulhos (Grande São Paulo), há cerca de dois meses. A companheira dele também teve sintomas, como dor nas costas e falta de ar, porém, não precisou ser internada. "Mas até hoje ainda sinto um cansaço às vezes que nunca havia sentido [antes ser ser infectada pelo vírus]." "Por sabermos na pele como o corovírus pode debilitar, mesmo estando aqui [no parque] estamos longe das pessoas e pretendemos sentar na grama sem estar próximos de ninguém", afirmou a artesã. Ambos resolveram ir ao parque por causa do feriado, mas garantiram não ir muito ao local e também ter se surpreendido com o grande volume de pessoas, sem máscara de proteção. Diferentemente do casal, a reportagem observou grupos de pessoas aglomeradas em alguns pontos do parque, como se fosse um feriado em tempos anteriores à pandemia da Covid-19. Nenhum funcionário do foi visto orientando as pessoas a respeitarem os protocolos sanitários. Em Cidade Líder, também na zona leste, pelo menos dez pessoas estavam em uma fila na porta de um restaurante especializado em comida nordestina à espera de vaga, pois o local estava lotado. Dentro do comércio, somente atendentes usavam máscaras. Um funcionário afirmou, sem saber que falava com a reportagem, que "era só esperar um pouco" que alguma mesa estaria vaga. Em Itaquera, ainda na zona leste, a reportagem encontrou um bar em que clientes só poderiam comprar bebidas e cigarros e os consumir em outro local. "Faço minha parte, mas não posso impedir as pessoas de beberem perto do meu bar, pois não mando na rua", argumentou o dono do local, que preferiu não se identificar. Na região de Santa Cecília, no centro, os poucos bares abertos, vistos pela reportagem, também atendiam clientes em frente aos estabelecimentos, que bloqueavam suas entradas com mesas. Em alguns destes comércios, algumas pessoas, isoladas e em pé, consumiam bebidas e alimentos. REGRAS A partir desta segunda-feira (25), todo o estado de São Paulo passa a ser classificado nas duas fases mais restritivas da quarentena. Até o dia 7 de fevereiro, sete regiões do interior estão na fase vermelha do Plano São Paulo, enquanto o restante das cidades, incluindo a capital, passa a viver uma rotina mista entre as fases laranja e vermelha. Na Grande São Paulo e nas regiões de Araçatuba, Araraquara, Baixada Santista, Campinas, Piracicaba, Registro, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto, vigora a fase laranja em dias úteis até as 20h. Nessas regiões, aos fins de semana e feriados e após as 20h em dias úteis, somente os setores essenciais (farmácias, mercados, padarias, lojas de conveniência, bancas de jornal, postos de combustíveis, lavanderias e hotelaria) podem funcionar. Outros setores do comércio só podem atender em esquema de retirada na porta, drive-thru e entregas por telefone ou aplicativos. Na fase laranja, academias, salões de beleza, restaurantes, cinemas, teatros, shoppings, concessionárias, escritórios e parques estaduais podem funcionar por até oito horas diárias, com atendimento presencial limitado a 40% da capacidade e encerramento às 20h. O consumo local em bares é totalmente proibido. RESPOSTA A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), afirmou que o parque do Carmo "não atingiu" nesta segunda-feira os 40% de seu público, como determinam as regras do do governo estadual. A administração municipal não informou o número estimado de frequentadores deste feriado no local. A gestão Covas afirmou que vigilantes e cancelas permanecem nas três entradas do parque controlando o acesso do público. "O parque do Carmo conta com vigilantes por toda a sua extensão, orientando a utilização da máscara", diz trecho de nota. A prefeitura ainda que funcionários medem a temperatura das pessoas nas três entradas do parque, apesare de a reportagem não ter visto o procedimento ser realizado quando entrou no local, além de disponibilização de álcool em gel. "Todos os sanitários do parque também possuem totem de álcool em gel, além de funcionários nas entradas fornecendo o produto para os usuários", acrescentou. Desde o início da quarentena, a Secretaria Municipal das Subprefeituras interditou 1.410 estabelecimentos por exceder o horário de funcionamento permitido pela quarentena. O restaurante de comida nordestina afirmou, por telefone, ter atendido nesta segunda o limite de 40% de clientes permitido por lei.