Parque Nacional da Tijuca terá novas intervenções, com previsão de início de obras para este mês

Carolina Callegari
A Estrada Dona Castorina passa por obras de contenção e segue bloqueada

RIO — Atividades como caminhar, pedalar ou dirigir nas vias do Parque Nacional da Tijuca podem ter como cenário — em vez da beleza habitual — tapumes, interdições e obras. O cenário da área verde vem sendo modificado desde setembro do ano passado, quando uma série de desastres naturais danificou e ocupou pistas.

Enquanto as obras na Estrada Dona Castorina tiveram início em setembro e estão previstas para serem concluídas em até seis meses, há também bloqueios nas estradas do Sumaré (parcial) e do Redentor (integralmente), por determinação da Defesa Civil. Estes trechos, no entanto, não têm previsão de reabertura, segundo o parque. Eles estão entre os 16 pontos afetados pelos temporais de fevereiro e abril do ano passado.

Em 30 de dezembro foi assinado o contrato com a empresa que venceu a licitação para executar este conjunto de obras, previsto para ter início este mês e ainda sem previsão para término.

Mudança na rotina de funcionamento

Dezesseis pontos do Parque Nacional da Tijuca sofreram danos ano passado em decorrência das fortes chuvas. Agora, após a assinatura de contrato de licitação, em dezembro, os locais vão começar a receber obras, segundo a administração do parque. Entre os pontos a serem recuperados está a estrada do Sumaré, com bloqueio do cruzamento com a Roquette Pinto até o cruzamento com a do Redentor, estando esta integralmente interditada. Ainda não há previsão de reabertura.

Em outubro do ano passado, a Secretaria municipal de Infraestrutura, Habitação e Conservação (SMIHC) registrou quatro ocorrências de deslizamento e rolamento de pedras na região do Alto da Boa Vista. A Fundação Instituto Geotécnica (Geo-Rio) vistoriou os locais, “iniciando ações para mitigar riscos imediatos e retirar parte do material da pista”, segundo a pasta. Apesar dos avisos e das cancelas nas duas estradas, a administração do parque tem constatado a ultrapassagem destes pontos nas duas estradas. Os trechos foram interditados por determinação da Defesa Civil por oferecerem riscos.

Durante um passeio de bicicleta pelo parque no último domingo, Raphael Pazos, fundador da Comissão de Segurança no Ciclismo na Cidade do Rio de Janeiro, circulou pelas estradas do Corcovado e das Paineiras, vias de acesso do Centro de Visitantes ao Cristo Redentor. Ele se deparou com sinalização em pontos das pistas com desnível no asfalto e com esquema de pare e siga da CET-Rio. O cenário gerou ainda mais preocupação aos integrantes da comissão, que se uniram para a elaboração de um documento a ser entregue para os governos municipal, estadual e federal pedindo medidas emergenciais e investimentos para prevenção de novos problemas.

— Não adianta o Rio promover o turismo e não investir. O parque já tem três vias interditadas. Se as outras duas fecham, o acesso ao Cristo Redentor fica comprometido. Fizemos um documento relatando tudo o que vem acontecendo e vamos protocolocar para os três poderes, para o ICMBio e para o secretário de Turismo. A própria mobilidade da cidade está comprometida com as interdições — conta Pazos, fundador da comissão.

A obra de recuperação na Dona Castorina, iniciada em setembro, após o deslizamento de parte do asfalto, segue um cronograma de seis meses. Com isso, fica proibido o acesso à Cachoeira do Horto (onde uma placa no posto de vigilância já avisa não ser permitida a visita). Segundo a SMIHC, já foram realizadas intervenções como “a contenção da encosta para evitar novos deslizamentos e a construção de uma canaleta para direcionar o fluxo da água da cachoeira, de forma a garantir a estabilidade do terreno”. O planejamento ainda prevê “a reconstrução dos muros de concreto armado com tirantes para conter o aterro, a pavimentação da pista, além da recuperação da ponte em arco, por onde corre a água da cachoeira”.

As dificuldades de circulação têm decepcionado os frequentadores do parque. O técnico de som Fabio Cintra visita o local para percorrer a estrada de bicicleta. O trajeto é um de seus preferidos para passeios ao ar livre na cidade. De volta ao Rio após uma viagem, há um ano não frequentava o parque. Na terça-feira, foi até lá, mas a estada foi breve: ele se frustrou ao se deparar com os tapumes.

— O caminho que faço é seguir até a Estrada das Canoas. Eu não sabia que aqui estava fechado. Perguntei a um dos operários da obra o motivo, mas ele não soube dizer — diz Cintra, morador do Humaitá.

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