Parte do comércio de São João de Meriti reabre nesta segunda-feira após decreto

Cléber Júnior e Diego Amorim
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Calçadão com lojas fechadas nesta segunda-feira

RIO - A prefeitura de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, publica nesta segunda-feira um decreto que permite a reabertura parcial e gradual do comércio. A decisão foi tomada, segundo a administração, após "uma semana de reuniões". Os comerciantes aguardam a flexibilização para retomarem o funcionamento. Nesta segunda-feira, lojas do Calçadão da Praça da Matriz continuavam fechadas.

— O comércio voltando temos que ter atenção redobrada. Espero que as pessoas mantenham a consciência de uso do álcool em gel e da máscara de proteção. Nós não podemos proliferar esse vírus, que já matou muita gente. Só tenho saído de casa para resolver assuntos importantes — afirma a aposentada Cleusa Gomes Pires, de 60 anos.

Voltarão a funcionar escritórios de advocacia, de contabilidade e de arquitetura; lojas de revendas de automóveis;restaurantes; barbearia; salões de beleza; lojas de aviamento; armarinho; estacionamentos particulares e óticas. O anúncio foi feito na sexta-feira, pelo prefeito João Ferreira Neto em uma live no Facebook. Os restaurantes, por exemplo, poderão receber um cliente a cada dois metros quadrados.

— Estamos passando por uma crise econômica também. Espero que a curva de casos seja comece logo a cair para que os demais comércios abram também as portas. Eu tenho três filhos, preciso trabalhar para levar o sustento para casa. As agências de carros abrindo ajuda muitos pais de família a pagar as contas no final do mês — defende o vendedor de carros Rui de Sousa Silva, de 47 anos.

Os estabelecimentos que poderão voltar às atividades após o decreto publicado deverão obedecer alguns critérios, como álcool gel na entrada e número determinado de clientes, sob pena de multa.

— Deverá ter álcool 70% na entrada da loja; uso de máscara obrigatório, termômetro na testa dos fregueses; no máximo, três pessoas dentro de cada comércio — ressaltou João Ferreira, afirmando que a prefeitura comprou mais de 600 mil máscaras que estão sendo distribuídas junto às secretarias e à população local.

Na cidade, já tinham permissão para funcionar supermercados, farmácias, lojas de materiais de construção, de autopeças, oficinas mecânica, borracharias, clínicas médicas, veterinárias e pet shops. Permanecem fechados, sem previsão de retorno, bares, cultos religiosos, salões de festa, academias, feiras lives, shoppings centers, lojas de roupa. A atuação de vendedores ambulantes segue proibida.

Segundo números do Estado, a cidade tem 868 casos confirmados da Covid-19 até este domingo, com 86 mortes causadas pela doença.

Prefeito não quer "justiça cancelando abertura"

São João foi o segunda cidade da Baixada a anunciar a flexibilização do comércio, uma semana após Duque de Caxias publicar decreto permitindo o retorno das atividades comerciais na cidade. Em Caxias, três dias após a publicação, a Justiça determinou que a prefeitura suspendesse o decreto, numa ação civil ajuizada pela Defensoria Pública estadual. A Procuradoria Geral do Município (PGM) de Duque de Caxias então recorreu, mas a Justiça negou o recurso.

Sem se referir diretamente a Duque de Caxias, o prefeito de São João de Meriti chegou a afirmar, na mesma transmissão, que não quer que ocorra o mesmo com o município. Segundo a prefeitura, a flexibilização será feita com "calma e responsabilidade", tendo como base os dados diários da evolução de casos e do sistema público de saúde.

— Não quero que aconteça em São João de Meriti o que está acontecendo em outras cidades: o prefeito faz uma abertura e o juiz vai lá e cancela o decreto de abertura. Estamos trabalhando com cautela, dentro do critério científico — afirmou o prefeito.