Parte dos hospitais particulares só tem medicamentos para atender pacientes com Covid-19 até segunda-feira, diz associação

Raphaela Ramos e Constança Tatsch
·2 minuto de leitura

RIO — Parte dos hospitais particulares do país só tem medicamentos necessários para atender pacientes com Covid-19 até domingo ou segunda-feira. O alerta, em meio ao agravamento da pandemia em todo país, foi feito em nota pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Segundo a entidade, a recente requisição de estoques de produtos anestésicos, essenciais para o tratamento da doença, pelo Ministério da Saúde, provocou a "desorganização da cadeia de suprimentos".

O Ministério, por sua vez, requisitou administrativamente, na semana passada, mais de 665,5 mil remédios usados para intubação, o que seria suficiente para apenas 15 dias de uso, devido aos baixos estoques e até a falta dos produtos já detectada pontualmente, provocada pela alta de internações pela Covid-19.

A Anahp, que representa 118 hospitais particulares do país, cobra a colaboração da Saúde para uma "urgente distribuição de estoques" decorrentes da requisição feita pelo ministério. Caso contrário, alertam, "muitos hospitais privados" perderão, até segunda-feira, "as condições de atendimento aos pacientes com Covid-19".

Fazem parte da entidade os hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, Moinhos de Vento e os da rede D'Or.

A Anahp informa que os hospitais associados já definiram uma estratégia de acesso a fornecedores internacionais, por meio de importações extraordinárias dos produtos em falta, mas destaca que o tempo mínimo necessário para que cheguem ao Brasil exige uma colaboração "imediata" do Ministério da Saúde.

A possibilidade dessas futuras importações se tornou viável após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter alterado procedimentos administrativos, acelerando o processo.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que irá distribuir distribuindo nesta semana mais de 2,8 milhões de unidades de medicamentos de intubação orotraqueal (IOT) para todo o Brasil, em parceria com três empresas fabricantes.

Complexos farmacêuticos como Cristália e Eurofarma começaram a fazer entregas no dia 23 de março e a União Química iniciará a distribuição na próxima terça-feira.

Segundo a Saúde, o cronograma de entregas é feito com base no monitoramento realizado nos estados e municípios, em parceria com Conass, Conasems e Anvisa. A pasta não informou, no entanto, se as remessas serão entregues em tempo para não desfalcarem o sistema privado.

Consórcio em SP

O Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo também afirmou, em nota divulgada nesta sexta-feira, que planeja auxiliar as unidades privadas do estado a criar um consórcio para importar de forma coletiva medicamentos destinados ao "kit intubação".