Parte de quadrilha que usava cartões de crédito e RioCards roubados para comprar e revender passagens é presa no Rio

Rafael Nascimento de Souza
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A Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) desmantelou, na noite desta sexta-feira (23), parte de uma quadrilha que usava cartões de créditos e RioCards roubados para comprar e revender passagens para vários municípios do Rio e outros estados do Brasil. Três cambistas foram presos em flagrante no momento que revendiam livremente os bilhetes — mais baratos — no entorno da Rodoviária do Rio (a antiga Novo Rio), no Santo Cristo, na Região Central. Os investigadores encontraram com o trio 23 passagens, além de 14 identidades furtadas, quatro cartões de crédito roubados que eram usados na fraude e uma máquina de cartão.

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Os investigadores passaram a monitorar o bando há cerca de uma semana e contaram com a ajuda da inteligência da especializada. Nos últimos dias, muitas pessoas tem denunciado irregularidades nas imediações do terminal. A Polícia Civil também contou com o apoio da direção da Rodoviária Novo Rio.

Segundo a Deat, criminosos roubavam as vítimas e usavam os cartões de créditos e os RioCards – bilhetes que as pessoas recebem o benefício da empresa em que trabalham — e compraram as passagens usando documentos furtados. Foram presos em flagrante: Marcelo Ribeiro, 48 anos; Rafael Gomes, de 35 e Maycon de Freitas Esteves, de 37.

A investigação aponta que, com o crédito do RioCard os cambistas compravam várias passagens nos guichês das empresas e pela internet e revendiam no entorno do terminal rodoviário. O espaço é patrulhado pela Guarda Municipal e pela Polícia Militar.

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Com o trio os policiais encontraram passagens expedidas por cinco empresas de viagem. Os destinos eram para Teresópolis (Região Serrana), Paraíba do Sul (interior do estado), São Paulo (capital) e Belo Horizonte (MG).

— Os cartões utilizados para a comprar eram roubados. Assim como as identidades usadas na aquisição. Após isso, esses cambistas ofereciam as passagens com o valor bem abaixo do que é vendido no guichê das empresas convencionais – lembra a delegada Patrícia da Costa Araújo de Alemany, titular da Deat, que completa:

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— Esse é um modo fraudulento para a aquisição das passagens. Eles acabam lucrando 100% com esse crime. Agora, vamos identificar quem são as pessoas que foram roubadas por esse bando. Já que recuperamos vários documentos.

Segundo Alemany, "a Deat está fazendo um trabalho para identificar crimes que têm impactado no turismo do Rio”.

— A Rodoviária do Rio é uma das entradas dos turistas na cidade. Somos o segundo maior terminal rodoviário da América Latina. Não podemos aceitar essa desordem urbana e que esses crimes, contra a população e os turistas, continuem em nossa cidade.

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Marcelo Ribeiro, Rafael Gomes e Maycon de Freitas Esteves já reponderam por diversos crimes. Entre eles lesão corporal, crime contra a economia popular, receptação, corrupção ativa, ameaça e roubo.

Agora, eles vão responder por mais crimes. Desta vez por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e falsidade documental.

Em nota, a assessoria de imprensa da Rodoviária Novo Rio disse que "não possui poder de polícia nem ingerência para combater os ilícitos na área externa já que sua segurança é estritamente patrimonial”. Ainda de acordo com o comunicado, a direção do terminal “reivindica constantemente às autoridades soluções efetivas para todas as irregularidades nos arredores, auxiliando os órgãos com informações e imagens do centro de controle operacional".

O EXTRA procurou a Guarda Municipal e com a Polícia Militar, que patrulhavam o local. As empresas que emitiram os bilhetes também foram procuradas pela reportagem.

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