Partido de Doria diz que Bolsonaro 'comemorou morte de voluntário' e que presidente 'parece estar do lado do vírus'

Victor Farias
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Pablo Jacob / Agência O Globo
Pablo Jacob / Agência O Globo

BRASÍLIA — O PSDB, partido do governador de São Paulo, João Doria, afirmou em rede social nesta terça-feira que o presidente Jair Bolsonaro "comemorou a morte de um voluntário da Coronavac", vacina contra a Covid-19 produzida pela empresa chinesa Sinovac Biotech, em parceria com o Instituto Butantã.

Na noite de ontem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, devido a um evento adverso grave, os testes com o imunizante seriam interrompidos no país. O GLOBO apurou que o evento grave informado na nota da Anvisa foi a morte de um voluntário, que, segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, não tem relação com a vacina.

Nesta terça-feira, Bolsonaro ironizou a decisão da Anvisa. Ele frisou que o governador de São Paulo "queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la", ressaltou que é contra a obrigatoriedade da vacinação e disse que é "mais uma que Jair Bolsonaro ganha".

Em resposta à declaração do presidente, o PSDB afirmou em rede social que "a atitude do presidente é mais uma prova de que coloca suas pretensões políticas acima de todos e realmente não se importa com a vida dos brasileiros. Cada vez mais ele parece estar do lado do vírus".

"A corrida pela vacina não é uma guerra política e não pode ser tratada dessa forma. A vacina - seja ela qual for - é para proteger os brasileiros desse vírus que já levou a vida de mais de 160 mil pessoas", acrescenta o PSDB.

O presidente vem travando nas últimas semanas uma disputa política com João Doria em relação à vacina. Inicialmente, após o governador afirmar que a imunização seria obrigatória em São Paulo, Bolsonaro disse que essa medida só poderia ser tomada com a anuência do governo federal o que, segundo ele, não vai ocorrer.

Na nota publicada hoje, a sigla diz ainda que o governo federal prometeu repasses ao governo de São Paulo para a produção da vacina pelo Butantan, mas não o fez até agora, e que o governo "ignorou proposta de compra da vacina da Pfeizer".

"O governo ignorou proposta de compra da vacina da Pfeizer, cujos estudos indicam eficácia na imunização, e o país não estará entre os prioritários quando a vacina for aprovada", publicou o PSDB.

Na segunda, a farmacêutica americana Pfizer disse que sua vacina experimental foi mais de 90% eficaz na prevenção da Covid-19 com base em dados iniciais do estudo da fase 3, o final. Apesar da notícia, não há perspectivas de acesso a essa possível vacina para a população brasileira.