Partido governista angolano deve vencer eleição, oposição contesta resultados

Eleição geral em Angola

Por Catarina Demony e Miguel Gomes

LUANDA (Reuters) - O partido governista de Angola deve vencer as eleições nacionais, uma vez que mantém uma sólida vantagem sobre a principal oposição depois que a maioria dos votos foi apurada, nesta quinta-feira, em meio a acusações de fraude.

Uma vitória do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) prolongaria suas quase cinco décadas de governo contínuo desde a independência de Portugal em 1975.

A comissão eleitoral informou nesta quinta-feira que com cerca de 86% dos votos apurados, o MPLA estava à frente com 52%, enquanto o seu principal rival da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), tinha 42%.

Se confirmado, esse resultado daria ao presidente João Lourenço um segundo mandato de cinco anos.

Mas a Unita, liderada por Adalberto Costa Junior, classificou os primeiros resultados anunciados pela comissão na quinta-feira como não confiáveis.

Os jovens em Luanda ficaram indignados com os resultados provisórios. A capital votou de forma esmagadora a favor da Unita, segundo a comissão eleitoral.

"Os 500.000 empregos que nos foram prometidos são uma mentira... Não temos nada", gritou o desempregado Paulo Tomas, 30 anos, quando ele e outros jovens souberam dos resultados iniciais na quinta-feira.

Ele refletia o sentimento de muitos em Angola, onde metade da população é pobre, apesar do rápido crescimento econômico alimentado pelas exportações de petróleo. O país do sul da África é o segundo maior produtor do continente.

Lourenço prometeu mudança e prosperidade ampla quando venceu as eleições em 2017, e, embora tenha apresentado alguns resultados positivos no combate à corrupção, ele não cumpriu a promessa de reduzir a pobreza.

O candidato a vice-presidente da Unita, Abel Chivukuvuku, disse à rádio portuguesa TSF que o partido considera contestar o resultado das eleições porque não "corresponde à realidade", alimentando temores de violência pós-eleitoral.