Partido governista deve perder assentos em eleição no Japão, coalizão deve manter maioria

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Premiê do Japão, Fumio Kishida, durante entrevista coletiva em Tóquio

Por Elaine Lies

TÓQUIO (Reuters) - O Partido Liberal Democrata do Japão (PLD) e o primeiro-ministro Fumio Kishida provavelmente sairão prejudicados da eleição da câmara baixa no final de semana, mas o governo de coalizão deve se manter no poder sem problemas, mostraram pesquisas de opinião nesta sexta-feira.

A votação de domingo deve ser um teste para o PLD, cuja imagem sofreu com a percepção de que o partido lidou mal com a pandemia de coronavírus, e manter sua maioria de partido único na poderosa câmara baixa pode ser difícil, indicaram as sondagens.

Kishida se tornou premiê no começo deste mês e governou durante pouco mais de uma semana antes de dissolver a câmara, esperando pegar a oposição desprevenida com uma eleição mais cedo do que o esperado e tirar vantagem do período de lua de mel concedido a novos governos.

Mas alguns analistas acreditam que a manobra pode não ajudar em nada o próprio Kishida, cuja imagem inócua não inspira os eleitores, e dizem que ele corre o risco de ser substituído se houver uma perda substancial de cadeiras do PLD agora que uma eleição da câmara alta se aproxima no ano que vem. Perder 30 ou mais assentos poderia deixar Kishida em apuros.

"Eleições recentes trataram de personalidades, um certo 'rosto', mas neste momento nem a coalizão, nem a oposição tem isso", disse o comentarista político Atsuo Ito.

"Além do mais, eleições como esta geralmente são um julgamento do governo que está no poder, mas o governo Kishida só estava por aí há cerca de 10 dias quando o Parlamento foi dissolvido, e realmente não dá para votar com base nisto", acrescentou.

"Acho que muitos eleitores estão confusos e que o comparecimento pode cair."

O comparecimento é crucial, já que números altos tendem a favorecer a oposição, mas pesquisas indicam que ele pode ser só ligeiramente superior ao recorde negativo do pós-guerra de 52,66% de 2014.

O segundo pior comparecimento do pós-guerra ocorreu na eleição da câmara baixa de 2017 e foi de 54%. A participação dos jovens foi particularmente baixa, já que só três de 10 pessoas de 20 a 24 anos votaram, algo que ativistas e outros estão tentando mudar.

Kishida almeja uma coalizão com uma maioria de 233 assentos na câmara baixa de 465 vagas, muito menos do que os 276 que o PLD tinha sozinho antes da dissolução do Parlamento.

Os diários Nikkei e Yomiuri Shimbun publicaram pesquisas nesta sexta-feira que apontaram que o PLD pode ter dificuldade para manter 233 assentos, mas seu parceiro minoritário Komeito deve ajudar a coalizão a manter uma maioria geral.

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