Partido de Macron perde maioria absoluta parlamentar

Assembleia Nacional francesa, em 12 de maio de 2020, em Paris

O partido governista na França, a República em Marcha (LREM), perdeu sua maioria absoluta nesta terça-feira (19) na Assembleia Nacional, a Câmara baixa do Parlamento, após a criação de um novo grupo parlamentar por alguns dissidentes da sigla da situação.

Chamado Ecologia, Democracia, Solidariedade, o grupo se define como "independente" e é composto por 17 deputados - a maioria, ex-membros do LREM, partido fundado pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Sua formação derrubou a bancada do presidente Macron para 288 deputados, faltando uma cadeira para a maioria absoluta de 289 assentos de que o partido do governo desfrutava até agora.

Essa perda tem um grande simbolismo, mas, na prática, o partido do governo continua contando com o apoio de deputados de outros grupos de centro.

Além disso, poderá recuperar rapidamente a maioria absoluta com a chegada da suplente de um deputado que renunciou recentemente para assumir uma prefeitura.

Composta por 577 deputados, a Assembleia Nacional vota e propõe leis, junto com o Senado, mas tem a última palavra em caso de divergência.

- Popularidade em queda

O partido de Macron tinha 314 membros após as eleições de 2017. Vinha perdendo parlamentares, especialmente de centro esquerda, com sua popularidade sendo corroída por polêmicas reformas econômicas e sociais.

De acordo com sua declaração política, a nova bancada parlamentar deseja contribuir para a realização de uma "forte transformação social e ecológica".

Para seus membros, "após a COVID-19, nada deveria ser como antes".

"Promoveremos e apoiaremos todas as decisões que estão no nível do que está em jogo, mas saberemos como nos opor em todos os outros casos", acrescentam.

Vários de seus membros rejeitaram terem "traído" os compromissos que assumiram quando tomaram posse em 2017, alegando que foi a maioria que "se afastou" dos compromissos firmados com os franceses.

Alguns pesos-pesados do partido do governo tentaram minimizar o golpe, afirmando que a perda não é um "cataclismo" e que eles continuam a ter a maioria no Parlamento, graças a seus aliados.

Pela primeira vez, desde que assumiu o cargo há três anos, Macron precisará do apoio de deputados de fora de seu grupo para aprovar suas reformas.

Desde sua chegada à presidência, Emmanuel Macron trava uma sucessão de batalhas políticas, enfrentando a revolta dos "coletes amarelos" e a greve contra a reforma do sistema previdenciário - a mais longa da história do país.

Seus críticos apontam que ele governa para "os ricos" e está longe das preocupações da classe trabalhadora.

Neste mês, uma pesquisa de opinião mostrou que apenas um terço da população francesa confia em Macron para administrar os problemas do país.