Pyongyang qualifica situação na península coreana de "extremamente perigosa"

Pyongyang, 17 abr (EFE).- O diretor-geral de Organizações Internacionais da Coreia do Norte, Kim Chang-min, afirmou nesta segunda-feira em entrevista à Agência Efe que a situação na região é "extremamente perigosa" e que, em qualquer momento, pode haver uma guerra.

"Hoje há uma situação extremamente perigosa na península da Coreia, na qual ninguém pode prever quando ficará fora de controle, o que pode resultar em uma guerra total", assegurou o alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano.

Kim culpou os Estados Unidos pela tensão atual na região e comentou que o vice-presidente americano, Mike Pence, disse em sua visita à Coreia do Sul que quer defender seus aliados asiáticos, mas, na realidade, o que ele procura é "um ataque preventivo para derrubar o regime" comunista norte-coreano.

O número 2 da Casa Branca ameaçou a Coreia do Norte hoje em Seul com a "determinação" mostrada pelo governo de Donald Trump nos recentes ataques na Síria e no Afeganistão, e indicou que Washington não vai tolerar um novo teste de armas por parte dos norte-coreanos.

Nesse sentido, Kim assegurou que "seria um erro esperar uma resposta da Coreia do Norte similar a da Síria, que não tomou nenhuma medida depois do ataque dos EUA".

"Washington diz que todas as opções estão sobre a mesa. Não só eles, mas nós também temos nossas próprias opções", declarou o alto funcionário norte-coreano.

Em relação ao último teste de mísseis realizados pela Coreia do Norte no domingo, que foi um fracasso e que as autoridades de Pyongyang não confirmaram, Kim disse que este tipo de teste faz parte do programa armamentista norte-coreano.

"A estratégia da República Popular Democrática de Coreia (RPDC, nome oficial da Coreia do Norte) é desenvolver suas capacidades militares e a economia de forma simultânea. Esses lançamentos e testes nucleares são parte do processo normal para atingir esses dois objetivos ao mesmo tempo", afirmou o funcionário do regime de Kim Jong-un.

Além disso, o alto funcionário da diplomacia norte-coreana denunciou que as sanções econômicas impostas pelo Conselho de Segurança da ONU à Coreia do Norte em resposta a seus últimos testes nucleares e lançamentos de mísseis são "ilegais" e afirmou que o fato de que as mesmas tenham recebido o apoio de Rússia e China, seus tradicionais aliados, "não as transformam em legais".

"Nunca aceitaremos as sanções que foram impostas. As rejeitamos taxativamente. Se os testes nucleares são uma ameaça para a segurança mundial, os EUA deveriam ser os primeiros a serem punidos", disse Kim Chang-min. EFE