Partido de Putin reivindica maioria nas legislativas; oposição denuncia fraude

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Eleitora vota em Moscou em 19 de setembro de 2021 (AFP/Yuri Kadobnov)
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A oposição russa denunciou nesta segunda-feira (20) fraudes nas eleições legislativas que terminaram no domingo (19), enquanto o partido do presidente Vladimir Putin reivindicou ter conquistado maioria de dois terços na votação que praticamente excluiu a oposição, após meses de repressão.

Após a apuração de 95% das urnas, o partido Rússia Unida tem 49,6% dos votos, muito à frente dos comunistas (19,2%).

Apesar das acusações da oposição, a presidência russa celebrou "a transparência e a probidade" das eleições legislativas.

Um dos líderes do partido governista, Andrei Turchak, afirmou que sua formação conseguiu ao menos 315 cadeiras de um total de 450 na Câmara Baixa do Parlamento, a Duma, o que ele chamou de vitória "clara e limpa".

A maioria de mais de dois terços é suficiente para modificar a Constituição sem a necessidade de apoio de outros partidos.

"Para o presidente (Vladimir Putin), o mais importante é que as eleições foram competitivas na transparência e probidade", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

O resultado, no entanto, representa uma queda para o Rússia Unida em relação a 2016, quando o partido conseguiu 54% dos votos e 334 deputados.

A oposição, em sua maioria excluída das eleições, do movimento de Alexei Navalny, líder opositor detido, denunciaram fraudes à medida que a vitória do Rússia Unida aumentava durante a noite.

A União Europeia (UE) criticou nesta segunda-feira uma atmosfera de intimidação no período prévio às eleições e lamentou a ausência de observadores eleitorais independente.

- Fraude eletrônica -

O líder comunista Guennadi Ziuganov, geralmente comedido, denunciou falsificações e pediu a Putin o fim das "armadilhas".

Em Moscou, reduto dos críticos do Kremlin, estes afirmaram que os votos on-line foram falsificados, o que permitiu inverter uma tendência desfavorável ao Rússia Unida observada na apuração dos votos em papel.

"São as eleições da fraude eletrônica", afirmou no Twitter Ivan Khdanov, um colaborador de Navalny que está no exílio.

Outro aliado de Navalny, Leonid Volkov, denunciou uma "mudança completa" dos resultados em Moscou e São Petersburgo.

A ONG Golos recebeu mais de 4.950 denúncias de possíveis irregularidades eleitorais e considerou uma "evidência" a queda do "nível transparência e de clareza do sistema eleitoral".

As autoridades consideram a Golos um "agente estrangeiro".

De acordo com Volkov, o nível das fraudes é maior que o registrado nas legislativas de 2011, que provocaram uma grande onda de protestos.

A presidente da Comissão Eleitoral, Ela Pamfilova, rebateu as acusações e elogiou a "transparência" das eleições.

Os simpatizantes de Navalny haviam solicitado o "voto inteligente" e a aposta nos candidatos com mais chances de impedir a eleição dos representantes do partido de Putin. Na maioria dos casos eram candidatos comunistas.

De acordo com uma ativista próxima a Navalny, o aumento no percentual de votos dos comunistas (que receberam 13,3% dos votos em 2016) representa um sucesso.

- Meses de repressão -

As legislativas aconteceram depois de uma intensa onda de repressão contra a oposição, incluindo a detenção de Navalny, que viu sua organização ser banida por ser considerada "extremista".

Além disso, as autoridades pressionaram as grandes empresas do setor digital no primeiro dia das eleições, sexta-feira, Apple e Google suprimiram de suas lojas o aplicativo de "voto inteligente" de Navalny.

Simpatizantes de Navalny acusaram Google e Apple de "ceder à chantagem do Kremlin".

Além do Rússia Unida e dos comunistas, outros três partidos podem superar a barreira de 5% para garantir representação no Parlamento: os nacionalistas do LDPR (7,47%), os centristas do Rússia Justa (7,42%) e um novato, o partido "Novas Pessoas" (5,39%).

Estes partidos são considerados uma falsa oposição e acusados de atuar a serviço do Kremlin.

Quase 108 milhões de russos estavam registrados para votar e renovar a Duma. Apesar do triunfo, antes das eleições, o Rússia Unida tinha um apoio popular reduzido.

Pesquisas recentes do instituto estatal VTsIOM revelaram que menos de 30% dos russos pensavam em votar no partido, 10% a menos que nas semanas anteriores às legislativas de 2016.

Embora Putin, de 68 anos, permaneça com um bom nível de popularidade, o Rússia Unida perdeu apoio com a queda nas condições de vida após anos de estagnação econômica, agravada pela pandemia do coronavírus.

O partido do Kremlin também vence nas dezenas de eleições regionais, como na Chechênia, onde o líder autoritário Ramzan Kadýrov recebeu 99,6% dos votos.

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