Putin promete aos russos bilhões de rublos antes das legislativas

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(Arquivo) O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou

O presidente russo Vladimir Putin prometeu, neste sábado (19), mais auxílio financeiro para melhorar a vida dos russos antes das eleições legislativas de setembro, precedidas por uma forte repressão da oposição e do movimento de Alexei Navalny.

O chefe do Kremlin falou durante quase uma hora para centenas de altos funcionários reunidos em Moscou no congresso do partido do governo, o Rússia Unida.

"O programa do partido do líder deve ser o programa do povo", disse Putin, em um contexto de estagnação econômica e de casos de corrupção que prejudicam o Rússia Unida.

Entre aplausos, Putin propôs investir dezenas de bilhões de rublos - a moeda russa - na melhoria do transporte público, nas estradas e infraestruturas, na renovação das escolas e na limpeza dos rios.

"Uma família próspera e sólida, com filhos, é o futuro da Rússia", afirmou, fiel à sua defesa dos "valores da família" e ao seu objetivo de combater o declínio demográfico.

Enquanto a Rússia enfrenta um ressurgimento da epidemia de covid-19 por causa da variante Delta e de uma lenta campanha de vacinação, Putin pediu o lançamento de um programa de ao menos 100 bilhões de rublos (1,1 bilhões de euros, 1,3 bilhões de dólares) para reforçar "o sistema de convalescença médica".

"Repito: é melhor estar vacinado do que ficar doente", enfatizou ele diante da desconfiança de muitos russos sobre a vacinação.

- Navalny neutralizado -

Nesses últimos anos, a popularidade do Rússia Unida, que controla a maioria da câmara baixa do Parlamento, foi afetada por causa da estagnação econômica, da relutância dos eleitores e dos casos de corrupção.

Segundo o instituto público de pesquisa Vtsiom, sua popularidade está em 30%, ou seja 10% a menos que antes das legislativas de 2016. A câmara dos deputados, na qual o partido possui maioria esmagadora, tem 34% de opiniões favoráveis contra 60-65% sobre Vladimir Putin.

Os três partidos da oposição parlamentar, geralmente amigáveis e que apoiam as iniciativas do Kremlin (comunistas, partido ultranacionalista LDPR e o partido Rússia Justa) obterão 30% dos votos, segundo o Vtsiom.

As autoridades aumentaram os ataques aos seus críticos à medida que as eleições se aproximavam, especialmente as organizações de Alexei Navalny, que foram declaradas "extremistas" e proibidas em 9 de junho. Seus membros foram impedidos de participar nas legislativas.

Navalny, preso em janeiro, cumpre uma pena de dois anos e meio de prisão, à qual foi condenado após sobreviver a um envenenamento em agosto de 2020, que ele atribui ao Kremlin.

O principal opositor de Putin ficou famoso pelas suas investigações sobre a corrupção das elites russas que questionavam principalmente os representantes do Rússia Unida.

- Prisões, exílios -

Com medo de serem processados, vários aliados de Navalny tiveram que abandonar o país nos últimos meses, enquanto a repressão afeta também outros opositores e veículos de comunicação independentes.

Durante a votação, o partido Rússia Unida poderá contar também com sua implantação em todos os níveis do poder. A oposição o acusa em cada eleição de forçar os funcionários a votarem nele.

As eleições devem acontecer de 17 a 19 de setembro, oficialmente para garantir uma boa segurança em relação à covid-19.

No entanto, os críticos do Kremlin denunciam um recurso que facilita a trapaça, já que é muito difícil vigiar a votação e as urnas por três dias e duas noites seguidas.

No congresso deste sábado, Putin pediu que as eleições expressem "a verdadeira vontade do povo", enquanto o líder oficial do Rússia Unida, Dmitri Medvédev, defendeu uma luta eleitoral "franca" para uma "vitória honesta".

"Uma luta franca e uma vitória honesta, sério? Prenderam todos os opositores", reagiu no Twitter Georgi Alburov, um colaborador próximo de Navalny.

Os apoiadores de Navalny esperam poder promover um "voto inteligente", convidando a votar em qualquer partido para derrotar o Rússia Unida.

Essa tática já funcionou antes, nas eleições municipais. Entretanto, poderia fracassar pela eliminação da importante rede de escritórios regionais do opositor.

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