Partido que levou presidente do Peru ao poder passa para a oposição

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O partido marxista-leninista Perú Libre, que levou Pedro Castillo à Presidência, agora estará na oposição, anunciou nesta quinta-feira o chefe da sua bancada parlamentar, depois de pedir ao presidente que renuncie à sua militância.

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— Definitivamente não somos uma bancada pró-governo — disse a repórteres o parlamentar Waldemar Cerrón, chefe da bancada e irmão do líder do partido, Vladimir Cerrón.

Como expressão dessa nova posição, o parlamentar antecipou que a bancada vote nesta quinta-feira a favor da censura ao ministro do Interior, Dimitri Senmache.

Ele argumentou que o Perú Libre atuará como uma "oposição de proposta", ao contrário da "oposição obstrucionista" dos partidos de direita que dominam o Congresso.

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— O fato de não concordarmos com alguns termos [do governo] significa que poderíamos ser uma oposição proativa e não uma oposição obstrucionista — disse Cerrón. — Não somos uma bancada que vai se opor por se opor.

O anúncio amplia a distância que separa o Perú Libre de Castillo, que se agravou na terça-feira depois que o partido pediu que ele "renunciasse irrevogavelmente" à sua militância sob ameaça de expulsão.

O grupo também destaca que Castillo não lançou o programa do partido ou suas promessas eleitorais, mas está "implementando o programa neoliberal perdedor".

Vladimir Cerrón, médico formado em Cuba, tuitou que a decisão foi um "acordo unânime do partido, comissão política e bancada".

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O presidente peruano evitou nesta quarta-feira responder se vai deixar o partido e indicou que divulgará sua decisão "nas próximas horas".

O conflito entre Perú Libre e Castillo ocorre quando uma comissão do Congresso que investiga o presidente por suposta corrupção vai recomendar uma acusação constitucional contra ele nesta quinta-feira, o que pode levar a um pedido de destituição do cargo que alcançou há 11 meses.

O Perú Libre acusa Castillo de minar a "unidade e disciplina" do partido após a divisão no poder em três blocos. O partido conta agora com apenas 16 dos 37 parlamentares que venceram nas eleições de 2021, tornando-se a primeira minoria em um Congresso em que nenhum partido tem maioria.

“[O partido] estende o convite à sua renúncia irrevogável, considerando a sua atual posse como presidente constitucional da República, antes de iniciar um processo administrativo disciplinar”, diz o comunicado do partido.

Castillo, professor de 52 anos, foi candidato presidencial pelo Perú Libre, ao qual chegou como "candidato convidado" em setembro de 2020.

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