Marine Le Pen: "Sou a única que representa a autêntica mudança"

Paris, 3 mai (EFE).- A candidata ultradireitista à presidência da França, Marine Le Pen, assegurou que a aliança democrática que no passado impediu seu partido de vencer as eleições "já não funciona" porque seus compatriotas "se deram conta" de que ela é "a única que representa a autêntica mudança".

"A conhecida como 'frente republicana' não funciona porque os franceses já não os entendem (...) A oligarquia tentou reativá-la, mas os argumentos usados foram tão excessivos, ultrajantes e atrasados que não funcionaram", disse Marine em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pela revista "Paris Match".

A candidata da extrema direita se dirigiu em particular aos políticos conservadores, de quem lembrou que "no passado atacaram com dureza" o social liberal Emmanuel Macron, seu adversário no segundo turno, que será realizado no próximo domingo.

"Não foi François Fillon quem fez campanha contra 'Emmanuel Hollande'? (jogo de palavras para associar Macron ao atual presidente, François Hollande). Os franceses não são tolos. No domingo votarão por convicção. Entenderam que eu sou a única que representa a autêntica mudança", apontou.

Marine ficou satisfeita por ter conseguido reunir em seu entorno figuras do "gaullismo", como Nicolas Dupont-Aignan, sexto mais votado no primeiro turno de 23 de abril e a quem nomeará primeiro-ministro em caso de vitória.

A candidata da extrema direita assegurou que formará um governo "de unidade nacional" com 15 membros compostos de "patriotas" procedentes tanto da esquerda quanto da direita com "a convicção de defender o interesse nacional e o dos franceses".

Convencida de que sua "visão de França é maioritária no país", Marine acusou seu rival de ser o herdeiro das políticas do atual presidente, François Hollande, de fomentar "uma imigração em massa" e não enfrentar "o fundamentalismo islâmico".

Assegurou que "não se conhece a amplitude real da imigração", por isso não concederá "vistos de longa estadia durante várias semanas", porque "a imigração em massa que a França sofre freia a economia, o sistema de proteção social, hospitalar e a atribuição de moradias aos mais desfavorecidos".

Quanto aos imigrantes italianos, poloneses e espanhóis que chegaram "ao longo dos séculos" à França e que "se integraram sem nenhuma dificuldade", Marine assegurou que os que chegam agora "trazem reivindicações religiosas diferentes" às da França e "não tentam se integrar".

Se vencer no segundo turno, a líder ultradireitista assegurou que não pretende se instalar no Palácio do Eliseu e continuará vivendo em sua atual residência, junto a suas três filhas, para "não revolucionar suas vidas".

Também não dará nenhum cargo oficial a seu companheiro, um dos vice-presidentes da Frente Nacional (FN), liderada por Marine, Louis Aliot, "porque assim o pediu".

Quanto à relação com seu pai e antigo presidente da FN, Jean-Marie Le Pen, assegurou ter "cortado todas as pontes".

"Não tenho nenhuma notícia dele nem quero ter. Nossa relação política terminou e não quero que volte", disse. EFE