Partido Trabalhista britânico suspende seu ex-líder Corbyn após relatório sobre antissemitismo

Anna CUENCA
·3 minuto de leitura
Jeremy Corbyn violou a lei de igualdade com sua 'imperdoável' gestão das denúncias de antissemitismo, afirmou um órgão de controle britânico
Jeremy Corbyn violou a lei de igualdade com sua 'imperdoável' gestão das denúncias de antissemitismo, afirmou um órgão de controle britânico

O Partido Trabalhista, principal força da oposição no Reino Unido, suspendeu nesta quinta-feira (29) seu líder anterior, o esquerdista Jeremy Corbyn, após a publicação de um relatório que denunciou sua gestão "imperdoável" das acusações de antissemitismo entre seus membros.

O partido esquerdista britânico foi acusado durante anos de abrigar atitudes antissemitas tratadas com pouca firmeza, que levaram à renúncia de vários de seus deputados e a críticas sem precedentes de líderes religiosos, como o grande rabino do Reino Unido, Ephraim Mirvis.

Mas nesta quinta-feira, a situação veio à tona após a publicação de um relatório que denunciou abuso, discriminação e falta de vontade para combater o antissemitismo sob a gestão anterior de Corbyn. 

Defensor de longa data da causa palestina, membro da ala mais esquerdista do partido, Corbyn reconheceu em 2018 que existia um "problema real" interno e que foi "lento demais" para impor sanções.

- "Dia de vergonha" -

Um relatório da Comissão de Igualdade e Direitos Humanos, órgão público independente, encontrou casos em que a cúpula anterior do partido minimizou, subestimou ou ignorou as queixas de seus membros judeus e às vezes interferiu ativamente para proteger certas pessoas acusadas. 

É um "dia de vergonha" para o partido, afirmou o novo líder do partido, o centrista Keir Starmer, nomeado em abril. 

"Falamos ao povo judeu, aos nossos membros, aos nossos apoiadores e aos britânicos", afirmou, prometendo aplicar todas as recomendações desta investigação, realizada durante dois anos.

Apesar de negar o antissemitismo, Corbyn defendeu sua gestão.

"Um único antissemita já é demais, mas a escala do problema também foi dramaticamente exagerada por razões políticas por nossos adversários dentro e fora do partido, assim como por grande parte da mídia", afirmou.

E disse "não aceitar todas as conclusões" do relatório, mas que confia que suas recomendações "ajudarão a superar este período".

O ex-sindicalista de 71 anos prometeu "desafiar vigorosamente" a decisão, ameaçando reabrir a guerra interna entre radicais e moderados em um momento em que o Trabalhismo está ganhando pontos nas pesquisas sobre o governo conservador e seu tratamento errático da pandemia do coronavírus.

- Falta de vontade -

"Nossa investigação destacou várias áreas em que a abordagem e a liderança (dos trabalhistas) para abordar o antissemitismo foi insuficiente", afirmou a presidente interina da Comissão, Caroline Waters, ao apresentar o relatório de 129 páginas. 

"Isso é imperdoável e parece ser resultado de uma falta de vontade para abordar o antissemitismo em vez de uma incapacidade para fazê-lo", destacou. 

A Comissão afirma que, com Corbyn, o Partido Trabalhista foi culpado por três infrações à Lei de Igualdade britânica de 2010 por interferência política nas denúncias, por não fornecer o treinamento adequado aos que administram os casos de antissemitismo e por intimidação aos denunciantes. 

No entanto, não iniciou procedimentos legais, mas ordenou ao Partido Trabalhista que redija um plano de ação antes de 10 de dezembro para remediar suas decisões.  

Em uma declaração conjunta, três importantes organizações judias afirmaram que o relatório é um "veredicto condenatório do que o Partido Trabalhista fez com os judeus sob Jeremy Corbyn e seus aliados". 

"Agora, a tarefa de limpar o problema pertence à atual liderança. Recebemos com satisfação o início de Keir Starmer, mas não se deve subestimar o tamanho do desafio", afirmaram. 

acc/jz/aa/cc