Partido de Trudeau vence eleição no Canadá, mas não deve obter maioria no Parlamento

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O partido Liberal, do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, venceu as eleições gerais do país nesta segunda-feira (20), conquistando a maior parte dos assentos do Parlamento. O premiê, porém, perdeu a aposta que fez ao antecipar o pleito para tentar reconquistar o controle da Casa.

Com os resultados preliminares de 99,3% das zonas eleitorais, das 338 cadeiras em disputa os Liberais levaram 148 e devem obter mais 10, em um total de 158 —abaixo das 170 necessárias para obter a maioria. Em segundo lugar ficaram os Conservadores, que conquistaram 117 assentos, com projeção de conseguir mais dois. O líder do partido, Erin O’Toole, reconheceu a derrota.

As demais vagas se dividem entre o separatista Bloco Quebequense (34), os esquerdistas Novos Democratas (25) e os Verdes (2).

A dissolução do Parlamento em 15 de agosto, com a antecipação das eleições gerais, foi uma aposta de Trudeau, no poder desde 2015, para tentar reconquistar a maioria da Casa perdida em 2019 e deixar de depender de alianças para aprovar suas medidas.

O premiê esperava capitalizar sua popularidade no combate à pandemia de Covid-19. O cálculo era que a boa avaliação do seu partido faria com que recuperasse com folga a maioria absoluta.

Com o passar das semanas, no entanto, Trudeau ficou sob risco de perder o próprio cargo, conforme os Conservadores avançavam nas pesquisas, chegando a obter a liderança durante parte do período. Às vésperas do pleito, os Liberais tomaram novamente a ponta, mas com uma diferença de apenas 0,5 ponto percentual.

Ao contrário do esperado pelo líder, a principal preocupação dos canadenses já não girava mais em torno da crise sanitária —ainda que tenham demonstrado sua insatisfação em uma eleição em meio à pandemia—, mas sim da climática, segundo pesquisas publicadas no período pré-eleitoral.

O tema pautou a semana final antes da votação, com as siglas correndo para se diferenciar nos planos voltados para o combate às mudanças no clima. Pressionados pelos eleitores, os seis partidos de maior destaque nacional trouxeram a questão para suas plataformas —no caso do negacionista Partido Popular do Canadá, liderado pelo ex-ministro Maxime Bernier e que acabou não conquistando nenhum assento, para propor a saída do Acordo de Paris.

Com um verão que foi um dos mais quentes da história do país, de temperaturas na casa dos 49°C, 18% da população disse priorizar a crise do clima na hora de escolher um candidato —porcentagem que chegou a 27% entre os eleitores homens de 18 a 34 anos, e a 28% entre as mulheres dessa faixa etária, segundo pesquisa realizada pelo instituto Angus Reid de 20 a 23 de agosto.

Após os resultados preliminares, Trudeau se comprometeu em trabalhar com os outros partidos. “Vocês estão nos enviando de volta para o trabalho com uma mensagem clara de fazer com que o Canadá atravesse essa pandemia e tenha dias melhores à frente”, declarou a um pequeno grupo de apoiadores reunidos em um hotel. “O que vimos nesta noite é que milhões de canadenses escolheram um plano progressista.”

Segundo a apuração oficial, até o momento, foram precisamente 5.183.882 que optaram pelos Liberais, ou 32,3% dos eleitores. O apoio ao partido de Trudeau se concentrou em áreas urbanas e suburbanas, como Ontário e Québec, que somam mais assentos, o que permitirá a dianteira no Parlamento. A preferência popular, no entanto, ficou com os Conservadores, que contabilizam 33,9% dos votos.

“Nosso apoio cresceu no país, mas claramente há mais trabalho que devemos fazer para ganhar a confiança dos canadenses”, avaliou O’Toole a apoiadores, indicando que planeja continuar na liderança do partido.

Conforme o resultado se confirma —faltam ainda contabilizar 800 mil votos por correio, processo que começou apenas nesta terça (21)—, os eleitores se mostram frustrados pelo alto valor gasto em uma eleição que manteve o status quo.

Os Liberais devem passar de 155 para 158 assentos, enquanto os Conservadores mantêm seus 119, e os Verdes, suas 2 vagas. Já o Bloco Quebequense deve obter 1 assento a mais, totalizando 34, assim como os Novos Democratas, que passariam a ocupar 25 cadeiras.

“600 milhões de dólares canadenses [R$ 2,47 bi] e tudo que ganhei foi um lápis ruim”, escreveu um eleitor de Calgary, na província de Alberta, em referência aos pequenos lápis distribuídos para fazer a marcação nas cédulas. A expressão “desperdício de dinheiro” chegou a virar tendência nas redes sociais. O custo estimado para o pleito era de 612 milhões de dólares canadenses (R$ 2,52 bi), 110 milhões de dólares canadenses (R$ 453 mi) a mais que em 2019.

Para Doug Porter, economista-chefe da BMO Capital Markets, a impressão que ficou foi a de que os eleitores não queriam um novo pleito. “O panorama político do Canadá é notavelmente similar depois dessa eleição ao que era antes”, disse à agência Reuters. “É quase como se os canadenses expusessem com seus votos: ‘Não queremos uma eleição agora’.”

Essa manutenção significa, então, que os Liberais de Trudeau precisarão se apoiar novamente em partidos de oposição, como os Novos Democratas, para avançar em sua agenda. O líder do partido, Jagmeet Singh, já deixou claro que não estava interessado em forçar uma nova eleição e que apoiaria o governo do premiê em questões-chave sociais e ambientais, mas que isso não seria automático.

“Se é algo que vai ajudar as pessoas, melhorar suas vidas, não vamos hesitar em dar apoio para fazer com que as coisas aconteçam. E ele sabe as minhas prioridades”, explicou, nesta terça, a repórteres.

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