Partidos aguardam 'fritura' de Bia Kicis na CCJ e costuram acordo paralelo

Natália Portinari e Paulo Cappelli
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Cleia Viana/Câmara dos Deputado

BRASÍLIA - Após a repercussão negativa da possível indicação de Bia Kicis (PSL-DF) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, líderes tentam costurar um acordo para manter a comissão com o PSL através de uma candidatura avulsa.

Assim, se quiser, o líder governista Vitor Hugo (PSL-GO) pode indicar Bia Kicis para o cargo, mas ela irá concorrer com outro nome do PSL em uma eleição interna na comissão. O principal cotado no partido é Marcelo Freitas (PSL-MG). Com formação jurídica, Freitas já foi delegado da Polícia Federal.

Em outras legendas, ainda não há consenso sobre apoiar um nome do PSL. Surgiram outros candidatos avulsos nos últimos dias. Embora a ideia seja preservar o acordo com o maior partido, se um nome de outro partido for viável, o jogo pode mudar.

A avaliação da cúpula do PSL é que não é preciso intervir para retirar a indicação, já que Kicis será vencida no voto por seu perfil extremista. O único caminho para que ela se viabilizasse, segundo dirigentes, é uma intervenção direta de Jair Bolsonaro ou de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, o que é visto como improvável nesse momento.

Após a indicação de Bia Kicis para a CCJ, os ânimos se exaltaram na ala bivarista do PSL. Há integrantes da Executiva Nacional que defendem que a legenda paute para os próximos dias o processo de expulsão da deputada, para evitar que ela assuma a CCJ. Entre eles, o segundo vice-presidente, Junior Bozzela (SP), e o segundo secretário, Felipe Laterça (RJ).

— Bia é acusada de fake news e desrespeita a Constituição. É totalmente incoerente e desconexo com a realidade assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Ela sempre disse que seria uma honra ser expulsa do partido, então não haverá problema — disse Bozella, segundo-vice-presidente do PSL.

— Já são 20 representações no partido para a expulsão. E essas representações vão ter prosseguimento, ainda mais com toda essa repercussão da CCJ. Só reforça a necessidade de o partido adotar uma posição firme — afirmou Laterça, segundo-secretário do partido.

Procurado, Luciano Bivar (PSL-PE), presidente nacional do partido, disse que não há possibilidade de expulsão de Bia Kicis do partido. Para que seja aberto qualquer processo contra ela, é preciso do aval do presidente. Ele também precisaria convocar uma reunião da Executiva para debater qualquer ação disciplinar contra a deputada.

Bivar fez parte da costura do acordo para entregar a comissão a Bia Kicis. Para "pacificar" o partido, ela ficou com a CCJ e ele, com um cargo na Mesa Diretora da Câmara. O presidente Arthur Lira também ajudou a selar o acordo, que envolveu colocar Vitor Hugo na liderança do partido.

Um outro integrante do diretório nacional, ouvido em caráter reservado pelo GLOBO, disse ser favorável ao estímulo de outras candidaturas do PSL na disputa pela CCJ, mas classificou como "canalhice" acelerar o processo de expulsão de Bia Kicis para que ela não assuma a comissão.

Bia Kicis não é bem-vista nem mesmo entre todos os bolsonaristas do PSL. Bibo Nunes (PSL-RS) disse que foi impedido por ela de concorrer a um cargo na Mesa Diretora na eleição dessa semana, o que "deu clima ruim".

— Ela é muito egocêntrica e intempestiva. Só olha o lado dela. Basta ver a rejeição que ela tá tendo. Demonstrou todo o egoísmo dela.

Segundo Bibo Nunes, a reunião em que Bia Kicis disse ter sido "aclamada" no PSL para a indicação à CCJ só tinha 15 bolsonaristas. A bancada tem 53 deputados, incluindo os suspensos.