Partidos de centro precisam superar ideia de ser só 'antibolsonarismo' ou 'antipetismo', diz a cientista política Silvana Krause

Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO — A vitória de Arthur Lira para a Presidência da Câmara na última semana explicitou um cenário de alta instabilidade e deixou claro que as principais lideranças partidárias, passados dois anos de mandato de Jair Bolsonaro, não conseguem criar um consenso entre si. Essa é a análise da cientista política Silvana Krause, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

— Ou seja, o momento é instável no sentido de que as elites políticas não conseguem, há mais de dois anos, construir um consenso: nem a esquerda que tinha uma hegemonia no PT, nem na chamada direita tradicional que não é a direita populista representa pelo presidente. A gente percebeu que essa elite experiente, que não é uma direita populista, mas tem uma bagagem de todo esse processo da nova democracia brasileira, simplesmente não conseguiu administrar o processo sucessório no Congresso — afirmou a professora.

Nos últimos dias, tanto o DEM quanto o PSDB, dois dos focos de suporte da ideia de criação de uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro, foram acometidos por rachas internos. Ao mesmo tempo, a esquerda permanece dividida entre o PT e os outros partidos que tentam aumentar sua influência, tornando ainda mais nebuloso o cenário para as eleições de 2022.