Partidos e MP ignoram inspeção nas urnas eletrônicas

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O prédio do TSE (Foto: Getty Images)
O prédio do TSE (Foto: Getty Images)
  • Partidos e Ministério Público não fizeram a inspeção do código-fonte das urnas eletrônicas

  • Medida é adotada pelo TSE todo ano, mas, o Tribunal decidiu abrir o processo um ano antes desta vez

  • Sistema eleitoral brasileiro vem sofrendo ataques do presidente Jair Bolsonaro e aliados

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilizou o código-fonte das urnas eletrônicas para ser inspecionado por partidos políticos e Ministério Público, mas ainda representantes das legendas e dos órgãos autorizados a participar da fiscalização ainda não compareceram ao local reservado para inspeção. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de São Paulo.

O código-fonte é um conjunto de instruções em uma linguagem de programação responsável pela lógica de funcionamento e segurança das urnas. O TSE informou que o procedimento ocorre de maneira regular em anos eleitorais, mas, em 2021, foi antecipado para ocorrer um ano antes das eleições de 2022.

Ao longo de 2021, principalmente, o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados fizeram diversos ataques ao sistema eleitoral e questionaram a segurança das urnas eletrônicas por diversas vezes. Bolsonaro chegou a fazer uma live, em julho, prometendo que iria comprovar que o sistema poderia ser fraudado, mas não apresentou provas.

Entenda como é feita a fiscalização do código-fonte das urnas eletrônicas

Sistema eletrônica está vigente desde 1996 e não há comprovação de fraude em nenhuma eleição (Foto: NELSON JR./ASCOM/TSE)
Sistema eletrônica está vigente desde 1996 e não há comprovação de fraude em nenhuma eleição (Foto: NELSON JR./ASCOM/TSE)

Segundo o TSE, representantes técnicos dos partidos políticos, o Ministério Público, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as Forças Armadas, a Polícia Federal e universidades, entre outras instituições, podem acompanhar todo o desenvolvimento dos sistemas eleitorais, com acesso ao código-fonte do software de votação e a todo o conjunto de softwares da urna eletrônica.

Quando o espaço para inspeção das urnas foi aberto pelo Tribunal, o chefe da Seção do Voto Informatizado do TSE, Rodrigo Coimbra, ressaltou a importância do processo de transparência.

“A estação de trabalho preparada pelo TSE disponibiliza dados contidos nos códigos-fonte dos principais sistemas eleitorais, incluindo todo o software da urna. Mostramos aqui para todos a disponibilidade e o apoio da Justiça Eleitoral para permitir que cada membro possa analisar as informações que ache pertinente, de forma plena e efetiva”, afirmou Coimbra.

Bolsonaro atacou o sistema eleitoral, mas depois voltou atrás

O presidente Jair Bolsonaro (Foto: AFP/EVARISTO SA)
O presidente Jair Bolsonaro (Foto: AFP/EVARISTO SA)

O presidente Jair Bolsonaro mudou seu discurso sobre o sistema eleitoral brasileiro e parou de questionar e colocar em dúvida a segurança de todo o processo. No início desta semana, em evento no Paraná, Bolsonaro falou que o voto eletrônico seria "confiável". “Tenho tranquilidade, porque o voto eletrônico vai ser confiável ano que vem. Por quê? Porque tem portaria do presidente do TSE, o Barroso, convidando entidades para participar das eleições, entre elas as nossas, as suas Forças Armadas", disse.

A alteração no tom das declarações de Bolsonaro é recente porque ainda em setembro, em entrevista à revista Veja, ele voltou a tocar no tema do voto impresso. "Se o Lula está tão bem, como diz o Datafolha, por que não garantir a eleição dele com o voto impresso?", comentou.

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