Partidos de oposição anunciam apoio ao bloco de Maia para eleição ao comando da Câmara

DANIELLE BRANT E THIAGO RESENDE
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou nesta sexta-feira (18) que partidos de esquerda aderiram ao seu bloco que lançará um candidato à sucessão no comando da Casa. Na semana passada, o grupo político de Maia já reunia seis partidos (PSL, MDB, PSDB, DEM, Cidadania e PV), que somam 159 deputados. Nesta sexta, PT, PSB, PDT, PC do B e Rede se uniram ao bloco, que passa a ter mais de 280 deputados. O PSOL ainda negocia aderir. Caso isso aconteça, o bloco de Maia passaria a ter cerca de 290 parlamentares. A sigla mantém a intenção de lançar candidato próprio. Em caso de segundo turno, no entanto, deve apoiar Maia contra o deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do centrão apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O anúncio foi feito por Maia ao lado dos principais postulantes a candidato do bloco: Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP). Apesar de ter aderido ao bloco, o PT pretende apresentar a Maia um nome que possa disputar a candidatura com os outros dois parlamentares. Ao apresentar seu grupo, o presidente da Câmara leu carta com críticas ao autoritarismo e em defesa da independência da Casa. “Porque enquanto alguns buscam corroer e lutam para fechar nossas instituições, nós aqui lutamos para valorizá-las”, afirmou. “Enquanto uns cultivam o sonho torpe do autoritarismo, nós fazemos a vigília da liberdade. Enquanto uns se encontram nas trevas, nós celebramos a luz.” No documento, os partidos reconhecem as diferenças entre si. “Porque, diferente daqueles que não suportam viver no marco das leis e das instituições e que não suportam o contraditório, nós nos fortalecemos nas divergências, no respeito, na civilidade e nas regras do jogo democrático.” Os partidos do bloco de Maia afirmam que a eleição de 1º de fevereiro não é entre candidatos. “Esta é a eleição entre ser livre ou subserviente. Ser fiel à democracia ou ser aliado do autoritarismo. Ser parceiro da ciência ou ser conivente com o negacionismo. Ser fiel aos fatos ou ser devoto de fake news”, indica o documento. “A Câmara vai escolher se será companheira de um projeto de poder que menospreza as instituições e que por inúmeras vezes sugeriu o fechamento desta Casa, ou se será livre para defender e aprofundar a nossa democracia, preservando nosso compromisso com o desenvolvimento do país.” Ao final do evento, Maia falou que a definição do nome sai na semana que vem. “A eleição está começando hoje”, afirmou. “Não é uma questão de nome, como eu disse no documento. É uma questão do que nós queremos para o país, e tenho certeza de que esses partidos estarão nisso.” O bloco de Maia nasce com dissidências. A ala do PSL mais ligada a Bolsonaro, por exemplo, deve votar em Lira. Também há divergências dentro da esquerda. Uma parte da bancada do PSB defende voto no deputado do PP. No anúncio, a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que, apesar de aderir ao bloco, o partido tentará construir apoio para que o candidato do bloco seja das siglas de esquerda. “A decisão do PT hoje é de integrar ao bloco sem deixar de discutir uma opção, uma alternativa à presidência da Casa“, frisou. “Nós temos muitas diferenças. Já travamos muitos embates nesta Casa, principalmente na agenda econômica. Mas tem uma pauta que nos une: a defesa da democracia no Brasil, das instituições e da liberdade desta Casa”, disse Gleisi. Presidente do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE) ressaltou a importância da democracia. “Nós somos contra o radicalismo”, declarou. Bolsonaro se elegeu à Presidência da República quando estava no PSL, mas depois deixou a legenda. Aliados de Maia não conseguiam um consenso sobre quem deveria ser o adversário de Lira, que lançou a candidatura no último dia 9. O presidente da Câmara se dedicou nos últimos dias a articular com partidos de oposição a Bolsonaro. O voto é secreto. Por isso, a adesão de partidos a blocos não significa a garantia de votos. São necessários 257 do total de 513 para eleger quem comandará os deputados pelos próximos dois anos. Maia tentou atrair ainda o Republicanos, que tem 31 deputados, mas o partido decidiu apoiar a candidatura de Lira. Aliados de Lira, por outro lado, fizeram uma forte ofensiva sobre Pereira e chegaram a oferecer até mesmo um ministério a ele, em troca do apoio formal do Republicanos à campanha do candidato de Bolsonaro. A campanha de Lira afirma ter votos do PP, PL, PSD, Solidariedade, Avante, PSC, PTB, PROS, Patriota e Republicanos. Esse bloco soma cerca de 200 deputados. Ele ainda consegue apoio em parte do PSL e também de alguns deputados da esquerda, como PSB.