Partidos querem expulsar extremistas envolvidos no 8 de janeiro

PSD, Republicanos e Cidadania já desfiliaram extremistas que participaram dos ataques à democracia do dia 8 de janeiro

Partidos de direita pretendem expulsar extremistas envolvidos no ataque às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro (Foto: AP Photo/Eraldo Peres, File)
Partidos de direita pretendem expulsar extremistas envolvidos no ataque às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro (Foto: AP Photo/Eraldo Peres, File)
  • Cidadania, Republicanos e PSD desfiliaram participantes dos atos golpistas do dia 8 de janeiro. Outras legendas decidiram expulsar extremistas;

  • Com dois deputados eleitos alvos de pedido de investigação, PL deverá desfiliar envolvidos nos ataques à democracia;

  • Outras legendas irão aguardar o andamento das investigações para decidir sobre os casos.

Partidos políticos querem a desfiliação de filiados que participaram dos ataques promovidos às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro.

Uma das legendas é o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Deputados eleitos pela agremiação são alvo de pedidos de investigação por envolvimento nos atos golpistas realizados por apoiadores do ex-mandatário.

Em resposta ao site Poder360, a assessoria do PL informou que filiados envolvidos nos ataques passarão por análise do conselho de ética da sigla. Cada caso será apurado internamente e aqueles que “comprovadamente praticaram atos violentos serão expulsos”.

Já o PSD, o Cidadania e o Republicanos já desfiliaram alguns extremistas e pretendem continuar expulsando quem teve participação no vandalismo.

Outra legenda questionada foi o PP, de Ciro Nogueira, que não se manifestou. Contudo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu a punição de todos os extremistas envolvidos na depredação dos prédios do Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional e Palácio do Planalto.

O deputado ainda defendeu que parlamentares que negaram ou minimizaram os efeitos dos atentados ao prédio do Congresso sejam “chamados à responsabilidade”. A fala fez referência a Abílio Brunini (PL-MT, que fez vídeos da Câmara após os atos e minimizou os danos causados à estrutura.

Outro membro da sigla, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) informou ao Poder360 que a legenda se reunirá na primeira semana de fevereiro para decidir o destino dos filiados que tiveram participação nos atos golpistas.

Já o Podemos respondeu que aguarda as investigações e deve punir aqueles que tenham cometido crimes.

Expulsões

Segundo apuração do Poder360, nesta quinta-feira (19), o Cidadania do Paraná expulsou Daniel Luciano Bressan e Vicente Cavalini, presos por participação nos atos de vandalismo.

O Republicanos de São Paulo também desfiliou o empresário Maurício Nogueira, identificado como um dos donos de um ônibus utilizado para transportar manifestantes até Brasília para os eventos do dia 8.

Mais de mil presos

A Defensoria Pública da União (DPU) acompanha os casos dos 1.027 extremistas no sistema prisional de Brasília. Eles foram presos nos atos de depredação ou detidos no acampamento do Quartel General do Exército, em Brasília, entre os dias 8 e 9 de janeiro.

Na quarta-feira (18), o ministro Alexandre de Moraes (STF) liberou 214 deles, além de outros 160 que continuarão monitorados por tornozeleira eletrônica. Outros 885 casos continuam sendo analisados pelo magistrado.

Inquérito contra deputados eleitos

O Ministério Público Federal (MPF) pediu, ao STF, abertura de investigação contra André Fernandes (PL-CE), Clarissa Tércio (PP-PE) e Silvia Waiãpi (PL-AP), todos deputados eleitos em 2022.

Segundo o MPF, eles teriam usado as redes sociais para incitar pessoas a participar dos atos contra o Estado Democrático de Direito.