Passageiro a bordo de voo que trouxe Ômicron ao Brasil relata descaso em aeroportos

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NEWARK, NEW JERSEY - NOVEMBER 30: A COVID-19 testing facility is advertised at Newark Liberty International Airport on November 30, 2021 in Newark, New Jersey. The United States, and a growing list of other countries, has restricted flights from southern African countries due to the detection of the COVID-19 Omicron variant last week in South Africa. Stocks in the travel and airline industry have fallen in recent days as fears grow over the spread and severity of the variant.   Spencer Platt/Getty Images/AFP / AFP / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / SPENCER PLATT
Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP / AFP / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / SPENCER PLATT
  • Houve problemas dentro do voo e nos aeroportos

  • Segundo ele, controle nas conexões em países africanos era insuficiente

  • Anvisa já havia recomendado suspensão de voos

Um dos passageiros a bordo do voo com mais de 200 pessoas, que desembarcou no último sábado (27) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, vindo de Adis Abeba, capital da Etiópia, relatou problemas com as autoridades sanitárias no Brasil e com a companhia aérea. Entre o grupo, um passageiro carregava a variante Ômicron do coronavírus.

Paulo Evaristo de Andrade, 40, conta que viu pessoas sem máscaras e que ninguém tirou sua temperatura. “Ninguém perguntou meu nome, ninguém tirou minha temperatura ou perguntou de onde eu vinha e se eu estava doente ou não", disse em entrevista ao portal UOL. “No voo, vi um monte de gente sem máscaras. Sem qualquer controle", contou sobre o voo da Ethiopian Airlines. “Fiz um [exame] PCR sem qualquer tipo de credibilidade antes de embarcar, ou seja, um verdadeiro caos e descaso em geral".

No momento, segundo o portal, Andrade cumpre quarentena, isolado em um quarto de hóspedes em São Bernardo do Campo, em São Paulo, mesmo tendo tido um teste negativo. Ele deverá fazer outro teste PCR neste sábado (4). Ele está assintomático e já foi imunizado com duas doses de Coronvac.

"Houve falhas da companhia aérea, sim", aponta. Mas para ele o maior problema "é com o Brasil, a falta de responsabilidade no modo de receber e ter os cuidados com as pessoas que vinham dessa zona".

No dia em que pegou o voo, já se sabia da presença da nova variante. Além disso, diversos passageiros vinham de conexões em países africanos onde a nova cepa foi registrada.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitárias (Anvisa), inclusive, havia publicado dois dias antes uma portaria que recomendava a restrição de passageiros ao Brasil com passagem pela África do Sul, Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

“É preciso entender que a questão do coronavírus na África é um universo totalmente paralelo, não existe máscara, não existe álcool, distanciamento social, saneamento básico e nenhum tipo de medida. É como se não existisse a pandemia", relata o brasileiro.

"Eu fiz o meu teste num local sem qualquer tipo de higiene. Enfiaram um cotonete em apenas uma das minhas narinas e depois de algumas horas estava pronto. Na minha opinião, um teste sem qualquer tipo de credibilidade e ainda te cobram 80 dólares", contou na entrevista. Segundo ele, houve problemas em todas as conexões que precisou fazer.

"Na Etiópia, no setor de imigração, também não há controle. Apenas me perguntaram se eu tinha mais de três mil dólares na carteira. Aí te dão um papel, te colocam numa van e te levam para um hotel. Não existem máscaras, cuidados, nada. No dia seguinte, de volta ao aeroporto, talvez o único local na África onde as pessoas usem máscaras", relata.

De acordo com o brasilero, "também faltaram anúncios nos alto falantes, qualquer tipo de orientação sobre o que estava acontecendo". "Apenas me deram uma bolsinha clássica de higiene, dessas padrão, que tinha sim álcool em gel".

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