Passageiros desaprovam nova grade da Supervia: 'Inventam de diminuir os trens, mas a gente não para de trabalhar'

Leticia Lopes
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Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo

Já passava das 9h, mas a estação Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, continuava cheia. Nesta quinta-feira, no primeiro dia de trens operando com uma nova grade de horários, com intervalos mais longos, passageiros da Supervia encararam a velha rotina de sempre: demora na chegada das composições e vagões cheios.

Além daqueles que iam se aglomerando na estação à espera do próximo trem para a Central do Brasil, o principal destino durante a manhã, o movimento na estação de Gramacho ficava ainda maior quando chegavam ali as composições vindas de Saracuruna, e os passageiros desembarcavam para trocar de trem e seguir em direção ao Centro. Enquanto isso, o sistema de som lembrava sobre a redução no quadro de horários, alertando aos passageiros para a necessidade de planejar suas viagens.

É que agora o intervalo entre os trens está maior. Nos horários de pico (entre 5h e 8h e das 17h às 19h), a empresa afirma que são dois minutos de espera a mais, em média, e nos períodos "de vale", quando há menos movimento, a espera deve ser maior. No ramal Deodoro, por exemplo, o intervalo médio no trecho entre Campo Grande e Central durante a manhã era de 9 minutos, passando agora para 11. Já no ramal Belford Roxo, o intervalo de 23 minutos aumentou para 25.

Além da redução nos horários das viagens, a empresa também diminuiu a frota, desativando ao menos 30 trens do total de 170 composições do sistema. De acordo com a empresa, a redução acontece por conta das mudanças na grade, e que os trens estão a disposição caso aconteça algum problema operacional ou ocorrência policial.

Moradora do bairro Vale do Ipê, em Belford Roxo, a empregada doméstica Adailza Lopes de Lima, de 48 anos, já está se programando para sair mais cedo de casa, mas o percurso é longo. Ela precisa trocar de transporte três vezes para chegar ao trabalho, no Flamengo. Depois de um ônibus, encara a viagem de trem de Gramacho até a Central, para de lá embarcar no metrô até o bairro da Zona Sul do Rio.

— Está brabo, e vai piorar muito. Eles inventam de diminuir os trens, mas a gente não para de trabalhar. Isso não existe — protesta.

A concessionária argumenta que precisou reajustar os horários para reduzir os custos das operações, considerando que durante a crise sanitária deixou de arrecadar cerca de R$ 246 milhões com a redução de 56 milhões de passageiros, desde março.

O governo do Estado afirmou que o decreto estadual 47.128 permite que os operadores de transportes público revisem seus modelos operacionais, e que a Secretaria estadual de Transportes acompanha essas alterações. "Entre as questões observadas está a manutenção do cumprimento dos decretos estaduais e das legislações, entre eles o que estabelece o limite da taxa de ocupação em até 60%".

Sobre a possibilidade de fazer algum aporte financeiro nas concessionárias de transporte, que alegam amargar prejuízos por conta da pandemia, o governo citou o fato de o estado estar em Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Em nota, a Supervia informou que a nova grade de horários, com ajuste em todos os ramais, manterá a taxa de ocupação das composições dentro do limite máximo estipulado pelo Estado e fiscalizado pela Agetransp. A empresa continuará cumprindo todos os decretos estaduais e a legislação vigente.