Passageiros encaram lotações e falta de informação em greve de ônibus em SP

SÃO PAULO, SP, 14.06.2022 – GREVE-SP - Motoristas de ônibus e cobradores decidiram entrar em greve depois de não conseguir acordo por aumento de salários, em São Paulo, SP, na manhã desta terça-feira (14). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 14.06.2022 – GREVE-SP - Motoristas de ônibus e cobradores decidiram entrar em greve depois de não conseguir acordo por aumento de salários, em São Paulo, SP, na manhã desta terça-feira (14). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tereza Araújo, 56, reclamava da falta de educação e de informação em um ponto de ônibus na avenida Engenheiro Antônio Caetano Álvares, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. Por volta das 6h20 desta terça-feira (14), ela sabia que deverá ter um longo dia.

A mulher era uma das cerca de 30 pessoas que tentavam a sorte para embarcar nos poucos e lotados ônibus que passavam por ali, em meio a uma greve de motoristas e cobradores iniciada à meia-noite.

"Se as pessoas tivessem um pouco mais de consideração, tinha dado", diz Tereza a uma mulher ao seu lado no ponto, após desistir de tentar entrar em um ônibus lotado, chance que não perdeu no coletivo seguinte. Ela iria para o terminal Barra Funda, na zona oeste, e de lá veria como chegaria à empresa onde trabalha na linha de produção na rua Estados Unidos, também na zona oeste.

O vigia Cícero Andrade dos Santos, 56, estava no mesmo ponto e tentava voltar para casa de seu primeiro dia de trabalho em um posto de combustíveis ali perto. E ainda iria demorar para descansar.

Santos, quando conseguisse embarcar em um ônibus, iria pegar o metrô na Barra Funda até Itaquera, na zona leste, e de lá tentaria encontrar mais duas condições até em casa, em São Mateus. "Não sei se dei sorte ou azar."

A falta de informação era a maior reclamação dos passageiros que chegavam ao terminal Casa Verde na manhã desta terca.

Um fiscal da SPtrans estava na entrada do terminal alertando as pessoas que chegavam sobre a greve e indicava o lotado ponto metros à frente, onde havia a chance de parar uma condução.

"Não sabia", afirmou o vendedores Valdemar Sales, 59, sobre a paralisação. Desolado, ele saiu reclamando em voz baixa sem saber como chegaria ao trabalho, no Butantã, zona oeste.

Luis Felipe do Amaral, 63, se preveniu e pegou o carro para buscar uma funcionária na zona norte e levá-la à empresa de suprimentos onde trabalham na Lapa, zona oeste. "Passou sobre a greve na TV e combinei com ela."

A greve afeta ao menos 15 empresas na capital, segundo a SPtrans. Em entrevista à Band na manhã desta terça, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que 1,3 milhão de passageiros ficaram sem transporte.

O rodízio de veículos foi suspenso.

A SPTrans obteve decisão liminar na Justiça do Trabalho, no dia 31 de maio, que determina a manutenção de 80% da frota operando nos horários de pico e 60% nos demais horários. A multa diária para o caso de desobediência é de R$ 50 mil.

A empresa vai pedir à Justiça a cobrança da multa, além de autuar as empresas pelo não cumprimento das viagens obrigatórias.

"A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, lamenta a paralisação de linhas de ônibus municipais e espera que trabalhadores e empresários cheguem em breve a um acordo para que a população de São Paulo não seja ainda mais penalizada", diz em nota.

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