Passageiros são surpreendidos com viagem gratuita para o litoral

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL. 20/07.2020 - Estação Jabaquara do Metro. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL. 20/07.2020 - Estação Jabaquara do Metro. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A movimentação no Terminal Jabaquara, na zona sul de SP, foi como em um fim de semana normal no início da manhã deste domingo (30). Muitos passageiros chegaram à rodoviária que leva às praias da Baixada Santista sem saber que a viagem era gratuita por causa da eleição. A maioria acreditava que o passe livre valeria apenas para trens, metrô e ônibus municipais.

Seguindo a orientação do STF (Supremo Tribunal Federal), o governo estadual permitiu o passe livre no transporte público metropolitano (Metrô, CPTM e EMTU) e também nos ônibus intermunicipais. Na capital paulista, os coletivos sob responsabilidade da prefeitura também foram liberados neste domingo.

Nós guichês, os atendentes das companhias de ônibus estavam surpresos, porque esperavam um movimento maior. Para a emissão das passagens, exigiram apenas o RG.

A analista Aylana Rodrigues, 26, teve uma surpresa ao chegar ao guichê da empresa que a levaria para Guarujá (82 km de SP). Ela chegou a comprar a passagem pela internet, mas foi avisada já na rodoviária que a viagem seria gratuita. Guardou o bilhete pelo qual pagou (foi informada que poderia trocá-lo para usar durante o período de até um ano) e contou com a gratuidade.

"Vou economizar uns R$ 100, ida e volta", disse. A analista contou que não votaria hoje, porque regularizou o título após o prazo.

A psicóloga Cleide de Oliveira, 56, chegou cedo ao Jabaquara para ir a Santos (72 km de SP), onde vota. Ela se reveza com familiares nós cuidados com a saúde da mãe, na capital paulista, e costuma voltar para casa na Baixada Santista só na segunda. Hoje, porém, se organizou para votar.

Para a psicóloga, a passagem gratuita pode servir de motivação para as pessoas. "Estamos vivendo uma situação no país em que é preciso se posicionar", disse. "Nasci no meio da repressão, em 1966. Vi esse país mudar para melhor, mas estou vendo mudar para pior. Não quero que meus netos vejam isso. Não é possível, alguma coisa tem que acontecer, porque ninguém aguenta mais", completou.

As vans clandestinas que partem ao lado do terminal continuaram a operar normalmente, cobrando o preço normal da viagem. Os "puxadores", como são chamadas pessoas que chamam os passageiros, tentavam convencer os desavisados, que não sabiam da gratuidade nas linhas convencionais. "Está bem fraco hoje", disse um deles.