Passeio de Bolsonaro ofusca as pistas que realmente importam

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Brazilian President Jair Bolsonaro (2-L) waves as he heads a motorcade rally with supporters in Sao Paulo, Brazil, on June 12, 2021. - Bolsonaro was fined $100 Saturday for violating Covid-19 containment measures in Sao Paulo state by failing to wear a face mask and provoking huge crowds at a motorcycle rally for supporters. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP) (Photo by MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro lidera motociata em SP. Foto: Miguel Schincariol/ AFP) (via Getty Images)

Não sei se os motoqueiros aliados de Jair Bolsonaro sabem, mas existe uma acusação grave contra um dos participantes da “motociada” de sábado 12 puxada por Jair Bolsonaro. A marcha em duas rodas para Jesus coube como luva de couro para as pretensões de outro Messias em plena campanha.

O evento serviu como ato de desagravo para Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente contra quem a Polícia Federal vê “fortes indícios” de envolvimento em um suposto esquema de corrupção de para exportação ilegal da madeira.

Seu chefe, que sempre corre para condenar seus adversários antes das sentenças judiciais, já corre para absolver o fiel aliado.

“O Ministério do Meio Ambiente era aparelhado e (Salles) fez um excelente trabalho”.

O “excelente trabalho”: em 2020, ano em que Salles anunciou a passagem da boiada, a Amazônia registrou um recorde de desmatamento com 8.058 km² de área verde destruída. Um recorde nos últimos dez anos e um avanço de 30% em relação a 2019.

Ainda assim, Salles não corre o menor risco de ser afastado.

A marcha da destruição já atropelou há muito tempo a conversa de que competência e rigor com o uso de dinheiro público deveriam ser o motor de quem prometia mudar o país.

Não foi só quem apostou na grilagem que ganhou dinheiro no Brasil nos anos Bolsonaro.

Tendo o presidente como garoto-propaganda, os vendedores de cloroquina viram os negócios disparar em 2020. Segundo levantamento do portal UOL, foram comercializadas 6,38 milhões de embalagens no primeiro ano da pandemia, um salto de 107% em relação a 2019. Já as vendas de ivermectina, antes usada contra piolhos e vermes, saltaram 74%, atingindo 56,8 milhões de embalagens vendidas com a ampliação do escopo.

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Os dados não levam em consideração a produção dos medicamentos, sem eficácia comprovada, pelo Exército.

Segundo o Itamaraty, Bolsonaro agiu pessoalmente para ampliar a produção da indústria do tratamento precoce. Chegou a telefonar para o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para pedir uma rápida liberação de insumos para a fabricação de hidroxicloroquina por aqui.

Entre as empresas que receberiam os insumos estava uma farmacêutica comandada por um apoiador de Bolsonaro que, de acordo com reportagem da Rede Brasil Atual, assinou empréstimo de R$ 153 milhões com o BNDES para ampliar sua capacidade produtiva.

Enquanto sentava em cima das propostas para vacinas, o país sonhava em transformar o medicamento em produto tipo exportação. Foi o que fez o general Eduardo Pazuello ao oferecer à Organização Mundial da Saúde o compartilhamento de protocolo desenvolvido no Brasil para tratamento precoce da doença. Foi prontamente rejeitado por quem já havia descartado o uso daquele tipo de medicamento ainda no começo da pandemia.

A pista das prioridades do governo na mais grave crise sanitária de sua história passa ainda por uma uma série de postagens de sites e canais aliados e também a propagação de ações oficiais que diziam nada com nada. Falta até agora uma comunicação clara sobre uso de máscara, cuidados, importância da vacina e distanciamento social.

No giro de Bolsonaro com seus apoiadores há um roteiro de como chegamos até aqui. Se acelerarem um pouco mais, cairemos todos no abismo.

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