Passeios de Bolsonaro no litoral de SP incluem pescaria em ilha de cobras perigosas

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 12.03.2019 - O presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 12.03.2019 - O presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

GUARUJÁ, SP (FOLHAPRESS) - Lancha com dança de funk, passeio de motocicleta e jet ski, lanche com pastel, jantar em pizzaria, presença em culto evangélico e pescaria em uma ilha conhecida por répteis perigosos.

A estadia do presidente Jair Bolsonaro (PL) no litoral de São Paulo às vésperas do Natal tem sido marcada por uma rotina intensa de passeios, porém distante da imprensa. Ele chegou ao Forte dos Andradas, em Guarujá (SP), na última sexta (17) e deve voltar a Brasília nesta quinta (23) -- depois, prevê passar os dias do Réveillon em Santa Catarina.

Na terça (21), Bolsonaro utilizou a ilha Queimada Grande, localizada a 35 km da costa entre os municípios de Itanhaém e Peruíbe, para pescar. O local, popularmente chamado de Ilha das Cobras, é preferencialmente explorado por mergulhadores e analistas ambientais.

A ilha é considerada o segundo maior reduto de serpentes no mundo -cerca de 45 por hectare-, além de ser o único habitat da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), uma das espécies mais perigosas do planeta.

Bolsonaro se dirigiu ao local logo cedo. Ele deixou a praia privada de Monduba, localizada dentro do Forte dos Andradas, e seguiu rumo à ilha acompanhado de comitiva, incluindo o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e o ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Durante o trajeto, passou pela praia do Guaraú, localizada em Peruíbe, e depois seguiu em um barco de pescadores para a ilha Queimada Grande.

"O presidente chegou ao local com uma fragata da Marinha. Nós estávamos pescando e ele aceitou prontamente o nosso convite", disse o empresário Cláudio Anzai, 53, proprietário da embarcação.

"O local, que fique claro, é uma área em que é permitida a p esca. Sou filiado ao PSDB, na última eleição [municipal, em Suzano] estive pelo partido, mas não estou contente com a legenda atualmente", completou.

Nesta quarta (22), o presidente deixou a fortificação onde está hospedado para almoçar na Fortaleza de Itaipu, em Praia Grande, em programação semelhante à que havia feito no domingo (19). Ele se dirigiu ao local de jet ski, acompanhado da filha Laura, e retornou no início da tarde.

Desde a chegada ao litoral, Bolsonaro tem evitado contato direto com jornalistas.

No sábado (18), participou de um culto evangélico na igreja Assembleia de Deus, em Vicente de Carvalho, no distrito de Guarujá.

Ele discursou por alguns minutos, citando o novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, e permaneceu no local durante toda a celebração religiosa, que durou pouco mais de duas horas, sem máscara de proteção.

"Essa semana foi muito especial para mim, com toda a certeza. Conseguimos mandar para o STF um pastor evangélico. Ele é um homem, não é perfeito, mas com toda a certeza buscará pela renovação que se faz necessária em todas as instituições. Nos fará representar naquela casa onde 11 pessoas integram", disse.

No domingo, Bolsonaro visitou pela primeira vez a Fortaleza de Itaipu e declarou a apoiadores e veículos de imprensa local ter pedido ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que os pais e responsáveis de menores de 12 anos tenham que assinar um termo de responsabilidade para vacinar as crianças contra a Covid, além da exigência de receita médica. À noite, ele saiu para jantar com a comitiva em uma pizzaria no bairro do Tombo, em Guarujá.

Um dia depois, na segunda (20), o presidente saiu para um passeio de moto para Santos, município vizinho. Ele atravessou de balsa e comeu um pastel próximo a um shopping localizado no bairro da Aparecida.

No retorno a Guarujá parou novamente, desta vez em uma lanchonete. Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível vê-lo sentado com Pedro Guimarães e outras duas pessoas.

No mesmo dia, no início da tarde, viralizou nas redes sociais um vídeo em que o presidente dança funk em uma lancha. Um assessor especial do presidente e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ironizaram que este seria o nível de preocupação do mandatário com o jantar que reuniu o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido, ex-PSDB).

"Bolsonaro preocupado com o 'Jantar da Democracia' de Lula/Alckmin", escreveu Flávio. A mesma provocação foi feita por assessor especial do chefe do Executivo, o coronel Mosart Aragão.

Também filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), criticou o encontro. "Pode ter certeza, aí não há amizade. Estão todos se expondo com um único objetivo: tirar Bolsonaro para retornar o Brasil ao seu passado recente", afirmou em uma rede social.

Na chegada de um dos passeios, Bolsonaro se dirigiu a um gradil exclusivo para apoiadores. Enquanto fazia selfies e conversava com o público, um homem que passava no local dirigiu gritos provocativos: "é Lula, Bolsonaro. Já era. Lula disparou", em alusão a pesquisa divulgada pelo Datafolha. Uma das apoiadoras rebateu com xingamentos.

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